xô te contar
11/01/2010
No fds que vem vou lá no estudio tirar fotos barrigudas. Tudo com o devido photoshop que eu obriguei o fotógrafo a colocar no contrato, claro, porque sou safa.
Vocês têm que ver a cara com a qual eu acordo alguns dias… Parece que eu dormi 3 dias seguidos, fico com um nariz de biloca. Mas isso é mó besteira, eu tô tendo uma gestação tão de boa que tenho que me pegar nessas coisas idiotas pra reclamar.
E um dia desses tive desejo de comer pequi. Pequi, um negócio do qual eu não gosto, que tem cheiro de peido. Comi até entalar, na panela mesmo.
Vai dando uma canseira, né? Entrei na 30ª semana, ou seja: faltam no máximo 10 semanas, a maior contagem regressiva da minha vida. A natureza é engraçada, acho que o desconforto chega já pra gente querer que o bebê saia logo. Porque pensa bem: se fosse legal carregar o bucho pra sempre, a gte nunca ia querer parir. Mas eu tô a fim de ver meu filho, interagir, ver a nova fase chegar de fato. Umbigo mole, cólicas, cocô vazando na colcha de piquet. Acho que tudo isso é melhor do que a vontade que eu tenho de me jogar no chão e rolar em vez de caminhar. Porque eu tenho vergonha de dar pinta de pata por aí, na frente de geral.
Eu falo, né, Brasil. Vocês sabem que eu falo mesmo.
eu pareço um carrinho de pipoca
30/12/2009
Pronto. Agora eu entrei no 7º mês. A gravidez dos humanos é de 10 meses, veja só você. Por isso grávidas contam a gravidez em semanas, eu acho. Porque se não for assim, a gente entra no 9º mês e fica todo mundo perguntando se a gente tá grávida de um burro, porque gravidez de burro dura mais de 10 meses. Pelo menos é o que diz o povão.
Ó, votecontá que gravidez cansa. Ai que canseira, Brasil. Primeiro que eu tomo chutes nas costelas. Ou cabeçadas na bexiga. Aí, eu tô tranquila batendo um papo e vem de repente uma vontade de mijar, fruto do coice que eu tomei. Passa instantaneamente. Ou não, porque ontem fiz xixi na casa inteira até chegar no banheiro.
E tem três dias que não durmo direito.Ai, me deixa com fome, mas não me tira o sono, não, que eu viro bicho.
Então eu pergunto: cadê o romantismo da gestação, pátria amada? Cadê a calma que só a ocitocina traz pra você? Cadê aquela cara lânguida que eu deveria carregar, que nem aquele bando de grávida que já vi na vida.
Cadê? Heim?
coisas que ninguém conta sobre a gravidez
22/11/2009
Uma colega de barriga comentou algo, aqui mesmo no blog, sobre a vontade de escrever um livro com esse título. Todo meu apoio, claro. E não que eu seja uma grávida ranheta, Brasil, pelamordedeus. Eu continuo sendo muito gente boa, só que na versão 5 kg mais cheia e com aparência de quem esconde a bola do jogo embaixo da camiseta. De resto, tudo igual.
Por exemplo: minha vontade de atacar pessoas na base da dentada continua aqui, impávida, forte, tenebrosa. Quando eu passo algum momento de muita raiva me sinto uma pitbull prenha, literalmente. No auge da raiva rola um imaginário de eu voando na jugular de alguém e sacudindo a cabeça, sabe como? Mas como não posso fazer isso, me bate a frustração e eu fico com muita vontade de chorar. Coisas que qualquer pessoa sente, de verdade. Só que eu sinto de forma incontrolável.
Por isso eu acho que a licença-maternidade deveria começar antes de o bebê nascer. Legalmente as mães que trabalham tem esse direito, mas nunca têm coragem porque a folga agora significa menos tempo com o rebento quando ele nascer. Mas é que a convivência com pessoas vai ficando difícil e a gente vai desenvolvendo habilidades de odiar pessoas. Eu por exemplo estou odiando o síndico do meu prédio neste momento. É um ódio-tristeza-medo tão grande, mas tão grande que até eu sei que é exagerado. Mais patético que isso, só as minhas tentativas de me acalmar. Como é ridículo. Aí o povo ao redor entra numas de ‘não fica assim que passa pro bebê’. Ai, qui raiva. Ninguém diz ‘não fica assim, vai dar tudo certo, se acalma, releve, cuida da sua vida, pára de frescura’. Não, nada disso. O bebê né? ‘Respira e finja que está tudo bem, porque o bebê tá olhando’. Ai Pátria Amada, vocês me dão muito trabalho. Eu fico com peso na consciência, lógico, porque sou muito suscetível e também porque tomei chutes no umbigo pelo lado de dentro. E lá veio Marido com fones estéreo pra colocar mantras pro bebê ouvir. Eu com dois fones presos no cós do short, coisa linda de se ver. Deveria ter tirado uma foto. Mas a guerra de hormônios, tão mencionada mas tão pouco explicada, já me humilha demais.
algumas grávidas me dão preguiça
06/11/2009
“As grávidas ficam lindas”. Pra mim é balela. Sério. Eu não tô inchada nem estou uma baleia. Pelo menos não ainda. Mas já começo a me locomover como um pato e, falando muito sinceramente, às vezes sinto vontade de me jogar no chão e rolar em vez de andar, pela praticidade da coisa. Quando alguém fala pra mim “você tá linda” eu entendo como “você tá ficando esquisita, mas é por uma boa causa e já, já passa”.
Vão voar milhares de ratos mortos em mim pelo que vou dizer agora, mas vou dizer porque defendo a democracia: pra mim, estar grávida está sendo super tranquilo. No fundo eu nem lembro que tô gestante e minhas fichas não caíram. Talvez (?) por isso eu não esteja bancando a fresca nem romantizando o evento. A vida continua (literalmente) e a barriga esticar, além de ser o milagre da vida se concretizando, causa uma dor estranha e bem doída. Mas disso ninguém fala. E que raiva que me dá. Quando fui pro google ontem pesquisar sobre essa coisa esquisita que tava sentindo na pança, ninguém foi capaz de dizer clara e objetivamente que doía, sim, que era estranho e que a tendência é que eu sinta isso ainda por um tempo. As falas são muito frufruzentas e viajandonas. Algo como “sinto minha barriga em conexão com o universo maior e por isso ao senti-la esticar, sei que é a mãe natureza agindo para que eu seja um bom lar para o meu filho. E as estrias serão a marca dessa luta que é privilégio de algumas mulheres vencer.”
Ah, Brasil, tá de sacanagem? Quem é que pede, por favor, que a mãe natureza providencie estrias abdominais? É lógico que eu quero ser um bom lar para o meu filho enquanto ele tá na fase inside, ok? Pelamordeus, que não me venham reclamar as xiitas da maternidade. Mas pra mim, que tava esperando ficar chorona e chata durante a gravidez, acho que até que tô conseguindo manter o mínimo de senso crítico pra detectar o que considero absurdo. Considero mesmo e acabou. Pronto, falei.
um alô pro meu filho
29/10/2009
Prezado filho
Me disseram que a partir de agora você ouve coisas. Tipo meu intestino funcionando, meu fígado soltando liquidos, essas coisas. Isso me fez entender porque bebês nascem chorando: ouvir esses barulhos por tanto tempo deve ser bem chato. Me desculpe, mas a fisiologia tem dessas coisas.
Você tem dois avôs. Um deles não me apresenta pelo nome, só informa que estou grávida de 5 meses, cheio de orgulho, e pronto. O outro se exibe como um pavão e agora me liga todo dia, coisa que ele não fazia nem durante minha adolescência frenética. Isso me faz compreender que fui resumida a uma carregadora de bebês. Ok, eu também me orgulho.
Todo dia me assusto com o tamanho do bucho. E quando você mete a mão ou o pé na minha cicatriz de apendicectomia a sensação não é mesmo das mais gostosas. Mas prometo parar de reclamar se você nunca mais chegar perto do meu umbigo. Pelo menos não de dentro pra fora, porque isso me dá vontade de arrancar o umbigo fora. Igualmente desagrádavel, eu quis dizer.
As pessoas agora cumprimentam você antes de falarem comigo. E chegam botando a mão na barriga como se fosse algo separado de mim, tipo uma invasão do espaço a mim reservado, sabe como? Este é o momento em que treino minha classe e minha cara de paisagem.
Seu pai, todo santo dia, diz pra você tomar conta de mim, um discurso que simboliza o paradoxo do nosso tempo. Ou o quanto eu tenho menos juízo do que um feto de 5 meses.
Estou ansiosa pela próxima ecografia, porque tá rolando um movimento de dúvida sobre a sua sexualidade. E digo isso com todo respeito, prezado filho. Mas querem conferir o que você tem no meio das pernas e eu sinto vergonha por você nessas horas. Até porque você mesmo se arreganhou todo e, pelo menos pra mim, não deixou dúvidas.
Gostaria muito que você mesmo escolhesse seu time de futebol, mas não conte isso pro seu pai. Pode dar divórcio. E todos queremos uma família unida, até porque é ele quem vai te colocar pra arrotar de madrugada. Mas deixe isso entre nós também.
Notícias sobre o mundo extra-útero seguem depois.
beijomechuta.
passado suspeito
22/10/2009
Entro no 5º mês de gravidez na semana que vem. Na chamada 20ª semana, falando na língua e na contagem das grávidas. Como a gravidez completa é de 40 semanas, tô no meio do caminho. Louvemos ao Senhor pela tranqüilidade da gravidez até aqui: eu não soube o que é enjôo. E meu filho, já sem compostura ainda na fase inside, mostrou logo que era um menino, assim, pronto acabou.
O 1º trimestre (que acaba não correspondendo exatamente a 3 meses, uma coisa muito louca que só os maias poderiam explicar) é esquisito e tenso demais porque a gente, inexplicavelmente, se lembra das aulas de biologia genética do 2º grau. Dá muito medo e, em alguns momentos o sentimento de incompetência bate bem forte. E a gente se aproxima de Deus, prometendo qualquer coisa só pra garantir que o rebento tá de boa. Promete não comprar mais DVD pirata. Promete parar de falar palavrão. Promete não comer nada com glutamato monossódico.
E o parto, né Brasil? Ainda tem o parto. Queria pular essa parte. Dormir e acordar com o moleque embrulhado, pronto pra mamar. Ainda não internalizei a possibilidade de me cagar toda na hora do parto. Não mesmo.
Este blog nunca foi sobre gravidez. Não começou por isso. Então eu pergunto: quando ele crescer eu mostro ou não mostro?
Eis uma das dúvidas nobres que permeiam a maternidade no mundo cibermoderno.
Oremos.
youtube is not a friend
16/10/2009
Eu gosto das informações informais sabe como? Eu curtia ‘Aqui Agora’ porque era tão real, mas tão real, que parecia tudo armado. A idéia de enxergar gente como a gente e poder deliberar e refletir sempre me atraiu, por isso fui viciada em Big Brother por muitos, muitos, muitos anos. Até que eu me casei e resolvi que não é confortável ficar assistindo marido olhar bundas alheias. Então na hora do Big Brother eu leio. Ou durmo. Porque ler é melhor do que pedir o divórcio.
Com base nisso tudo, entrei numas comunidades de grávidas no orkut. Tudo corria bem até que resolvi seguir a sugestão de uma colega e olhar os vídeos de partos no youtube.
Pátria amada! Onde foi que eu assinei que queria parir daquele jeito? Não me lembro da audiência com o Divino em que falei ‘ok, Deus, topo demais ver um melão sair pelo buraco por onde passa assim, no máximo, uma uva, nasci pra isso’. Respeito demais a mulherada que topa muito o parto mais natural possível, mesmo achando que às vezes tem gente que defende o parto normal como se fosse um xiita e eu ache isso muito esquisito. Eu mesma preferia o parto normal. Preferia. Até ver o vídeos. Hoje eu não prefiro nada. Porque cesárea também não é bonito de ver, não, Brasil. Então eu escolho virar um canguru nos próximos meses. Assim eu carrego meu filho numa bolsa de pele do nativo australiano e, na hora que ele tiver formado, eu levo pro médico e pronto. Muito mais fácil. Tenho certeza que foi isso que combinei com o Divino e agora ele tá querendo me dar o golpe. Papai do Céu é meu brother, mas às vezes me dá muito trabalho.
o sofrimento de uma gestante bem resolvida
08/10/2009
Hoje eu fui fazer um exame de sangue de rotina, para medir minhas reservas de vitaminas e essas coisas que eu sempre achei que quanto mais eu tivesse no corpo, melhor. Ou que o excesso sairia no xixi e pronto, eu seguiria a minha vida sempre vitaminada e reluzente. Mas não, até pra isso existe limite, pátria amada.
Daí dirigi a minha pessoa recheada de ácido fólico e vitamina B12 para o laboratório. E laboratório é laboratório, né, Brasil? Sempre lotado, porque a gente gosta mesmo é de fazer exame, levar pro médico nem tem importância. Há um tom sisudo a frase “vou me atrasar pro trabalho porque tenho que fazer uns exames”. Fora as pessoas que usam o exame como desculpa pra faltar trabalho, mas esse é outro assunto.
Então que o laboratório tava lotado e em laboratórios existe a senha-preferencial-fura-fila-cintilante. E eu não tive dúvida. Foi o momento em que eu vi que existem ambientes que reconhecem o quão adoradas deveriam ser as fêmas humanas prenhas. Até o barulhinho do apito pra chamar os preferenciais é diferente, por aí já temos uma boa base da importância da parada, vocês hão de concordar.
E é lógico que nesse laboratório lotado havia uma criatura sem-mãe. Filho de chocadeira ou, pelo menos, nascido a forceps. Porque não interessa o quanto seu ciático dói, o quanto sua barriga começa a pesar, o quanto seus pés têm inchado e quanto tempo você terá que esperar pra vestir sua calça jeans manequim 38 da forum de novo: sempre haverá um ser de alma suína que acha que, não, você não está grávida. Só está com aquela bata de bojão de gás pra furar fila em laboratório. Ou porque você gosta de ver uma manada inteira de seres humanos te olharem enfurecida porque você pode, legalmente, furar a fila. Porque, sim, você pode entrar justamente na frente daquele ser, uma pessoa que ficou com sequela do forceps e, claro, um homem. Porque mulheres são terríveis e nervosinhas, mas na gestação todas se unem, porque pensar na dor do parto e na humilhação de não conseguir controlar seu próprio intestino na hora da força da parição alimenta a compaixão até das que não querem saber desse negócio de visita da cegonha.
a gestação e minha capacidade de abstrair
28/09/2009
Comecei a hidroginástica sagrada. Porque toda grávida que tá na moda faz hidroginástica, né? Eu cheguei toda me achando porque, como já malhava antes de embuchar, pensei que ia ser moleza aquela hidroterapia para a melhor idade. E como eu me lasquei, viu, Brasil? Porque quando a gente vê de fora pensa que se trata do maior exercício-blefe do mundo e, ouçam a titia, não é. Definitivamente não é. No primeiro dia, ao sair da piscina, senti meu sangue circular por partes do corpo antes desconhecidas.
A idéia era fazer ioga pra gestantes. Mas, gente, fala sério, quem me imagina fazendo ioga? Sejam francos. Aquilo acabaria com os meus nervos. Porque se você quer matar alguém agitado é só querer mostrar pra ele o benefício de uma vida equilibrada, calma, cheia de paz interior e chacaras em ordem. Eu mataria o professor com os golpes de muai tai que aprendi na época do tae fight. Porque era assim que eu me desestressava.
A grande questão da hidroginástica, alem de ser uma atividade física que finge ser boazinha mas não é, é o nojo que eu tenho de piscinas. Não importa se ela aparenta estar limpa, tenho nojo e ponto final. Por isso queria ser rica e fazer pilates. Pensando no meu momento descapitalizado eu soco a água, porque a água, sim, incauto, absorve o impacto e preserva as articulações.
quer conversar? vai na Hebe
18/09/2009
Então que chegou o dia, né? Eu estava devidamente ornada com minha bata de mulé grávida convicta e cheia de si e fui no mercado, comprar legumes sem agrotóxico, porque tinha recebido meu tiquete-alimentação.
Comprei tudo na rapidez que meu horário de almoço no trabalho exige e me dirigi bela e garbosa para o caixa preferencial, aquele meu direito constitucional já mencionado neste blog.
Mas Brasil, eu vou abrir meu coração pra vocês: aquela fila é também para idosos e idosos dão muito trabalho.
Amo vôs e vós, ok? São figuras fofas, cheias de melancolia e saudade, adoro conversa de velhinho. E eles conversam muito, né? Porque eles já entederam o verdadeiro sentido da vida e sacaram que ter pressa é coisa de trouxa. No caso, coisa da gente. Você e eu, trouxas que somos. E eles são simpáticos, normalmente. Ou reclamões. E tanto os simpáticos quando os reclamões falam pra dedéu. E falam com os carinhas do caixa por horas e horas e horas. Enquanto você está lá, na fila, prenha (com um bucho pequeno, mas todo bucho enorme passa pela etapa do bucho pequeno e eu só estava exercendo meu direito constitucional de usufruir de filas preferenciais, ok?) esperando sua vez de ser atendida, sorrindo amarelo pro vovô conversador.
Então, vou mandar a dicazinha pra você que quer engravidar qualquer dia desses: a fila preferencial não é lá tudo isso quando o quesito é rapidez e agilidade. E você, que vai chegar na melhor idade todo tranquilão, indo passear no mercado e bater papo com os caixas, sugestão: chama a caixa pra tomar uma cerveja e bater um papo, gente!