Tá Pensando o Quê?

tá pensando o quê?

exposição de motivos

Não tenho a menor idéia sobre o que escrever, mas preciso, sinto falta, morrerei de inanição. Um bom jeito de retomar é sempre dizer o porquê da pausa. Eu acho.

Depois que eu criei meu perfil no twitter, fiquei me perguntando pra que manter o blog. Depois que o facebook virou meu amigo e aprendi a escrever , fiquei me perguntando pra que twitter. E foi assim que o blog ficou esquecido.
Nunca na vida terei coragem de deletá-lo, minhas histórias estão aqui causando confusão na minha vida desde 2005, mas a verdade é que faltou tempo e senso de prioridade, etc, etc, etc.
Outro problema é eu não saber lidar com os leitores. Sempre que encontro alguém na rua que comenta daqui, fico com vergonha. Um paradoxo do nosso tempo, já que eu criei o blog porque quis e escrevo tudo que escrevo por livre e espontânea vontade. Pra vocês terem uma idéia, tem uma menina que lê o blog e que malha na mesma academia que eu. Um dia ela me reconheceu e desde então eu mudei meu horário, por puro constrangimento (blog perdendo uma leitora em 3,2,1…) Ao mesmo tempo tem gente que se mudou pro meu coração e que eu só conheci por causa do blog, o que, obviamente, está longe de significar que sou blogueira celebridade famosa. Não sou. Sou normal, (não riam!) só tenho um blog na internet, coisa mais comum do mundo nos dias de hoje. Até ultrapassada, avaliando friamente.
Eu nunca quis que meus textos fossem chatos. Nem legais. Eu só queria escrever. Escrevi muita coisa legal, escrevi muita coisa chata. A necessidade que eu tenho de escrever sempre andou muito próxima da minha sensação de que escrever é fácil. É só falar o que eu tô sentindo e pensando enquanto me sacaneio por ser neurótica e voalá, surge um texto.
Depois que meu filho veio ao mundo, eu passei um tempo só pensando em bebês, falando de desenvolvimento e crescimento e educação e birras de bebês e tendo crises psicóticas por causa disso. E sobre isso eu não queria escrever no blog, simplesmente porque esse não é um blog sobre maternidade.

Pois bem. Fiz pequenas modificações na template, só o basicão mesmo porque HTML is not my friend (arraso no inglês). Rolando a barra até o final vocês vão poder clicar num botãozinho que promete enviar, pro seu email, as atualizações. Não testei, nem sei muito bem como funciona. Se alguém clicar me avisa, pra eu ver se dá certo.
Lá embaixo estão também os famigerados arquivos, pra vocês irem lendo enquanto os textos novos não aparecem.

Mas esse blog é sobre o quê, afinal?
Nunca saberei responder. até lermos todos os arquivos e chegarmos à conclusão de que este blog não é sobre nada importante.

neuras de mãe e outros sofrimentos

Eu sinceramente não vejo grandes problemas em ser mãe. O problema está em precisar seguir sendo todas as outras coisas. Isso me dá muito trabalho. Isso sim me cansa, me desgasta e me faz sentir incompetente. Obviamente não sou incompetente, porque alguém que dá conta de ser mãe e tomar banho todo dia já demonstra grande habilidade em administrar o tempo. Se você faz as unhas já vão te olhar de banda, afinal, que tipo de pessoa você é que mesmo sendo mãe tem a ousadia de fazer as unhas? É muito cuidado consigo mesmo pra alguém que está se saindo bem com a tarefa da maternidade.
Tudo isso pra dizer que comecei a ver escola pro meu filho. Quanto mais elas oferecem, mais eu exijo, admito minha neura. Numa escola fodona com proposta pedagógica show de bola eu me apego no detalhe de quantas vezes por dia eles trocam as fraldas dos pequenos. Na escola que tem horta e educação alimentar para os miúdos, mas a grama do jardim está com cara de que não é aparada há, digamos, 3 horas, então não vale. E tem todas as outras coisas que não aconteceram, mas que já me amolam. Por exemplo, estou procurando aulas de defesa pessoal para bebês, porque quero que meu filho esteja preparado para as mordidas típicas da pré-escola. E pros surrupiadores de brinquedo serei capaz de descer ao nível do pó de mico na cueca. Tenho classe, mas sei puxar cabelo.
Criar filho pro mundo, né? Sei… Não existe lugar melhor pro meu filho do que dentro da minha barriga. Pronto. Falei.

a dor da solteirice num dia enamorado

Eu tenho pena dos solteiros mal-resolvidos quando o dia dos namorados cai num fim de semana. Porque o fim de semana é o local onde os solteiros mal resolvidos se abrigam, compreende? Eles se jogam na balada louca encachaçada pra não se lembrarem de nada no dia seguinte e poderem seguir fazendo o tipo de solteiro convicto wannabe. Mas ter que encarar restaurantes, botecos, motéis, moitas, cinemas, supermercados todos entupidos de casais melosos nheco nheco deve ser dureza de se ver. E como se não bastasse aquele bando de casal exalando felicidade e corações nos olhares, ainda precisam competir espaço no mundo com eles. Ficam aqui minhas condolências.

Pra acabar de completar o domingo #fail vem a segunda-feira, um dia que já carrega todas as maldições de todos os credos, raças, religiões e etnias, com aquele gostinho doloroso de ressaca de felicidade alheia, jogada na cara das metades avulsas das laranjas. E Santo Antônio lá, coitado, com o inbox do gmail lotado.

Mas eu acho que vale a pena olhar à diante: quando chegar o carnaval todos os casais felizes vão invejar os solteiros na esbórnia. E assim caminha a humanidade.

letz try again

Eu tenho trabalhado tanto e sendo tão mãe que não me sobra tempo pro blog. Além disso, tem o twitter que me enlouquece no vício cabuloso, é muito mais rápido e eu acesso pelo celular. Não sei como a gente vivia sem internet no celular. E sem internet. E sem celular. Nem lembro de quem eu era antes disso tudo. Como a gente conseguia marcar encontros que davam certo sem um celular, meu pai? Meu filho vai poder contar na escola ‘no tempo da minha mãe as crianças não tinham celular. E não dava pra ver na hora as fotos que eles tiravam.’ Os coleguinhas vão rir e dizer que a gente é do tempo do ronca. Muito medo de ver meu filho crescer.

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Fui pro spa, voltei do spa. Valeu a experiência mas eu sofri muito. Os gordinhos sofrem muito. Todas as 3 questões mal resolvidas que eu carrego ficaram à flor da pele. Mas também, quem manda escolher ficar longe do marido, do filho e dos amigos bem na semana da TPM? Quando saí tive a impressão de que estava saindo da cadeia. A parte boa é que eu vi que não sou gordinha. Até porque lá todos os espelhos emagraciam.

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Tô ficando mais amiga do facebook. Que eu também acesso pelo celular enquanto estou em filas, ou no elevador, ou no banheiro. Não sei porque eu disse isso. Todos no mundo virtual somos amigos, mesmo que na vida real a gente se odeie, eu já falei sobre isso aqui. Então, www.facebook.com/kriscia.medeiros Orkut morreu, né, gente? Que coisa, quem diria. Mas eu ainda tô lá também porque tenho apreço por algumas comunidades minhas. Eu nunca me desapego. Coisa horrível.

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Academia e exercícios voltaram pra minha vida, religiosamente 3x por semana. Mentira. Religiosamente mesmo, só 2. Mas é que agora meu cérebro se expandiu e minha criticidade também. Aí, quando o despertador toca 6h30 da manhã meu cerebro pergunta pro meu corpo que se aquela é hora digna de um cristão levantar. Uma crise, uma falha na matrix, quase um purgatório moral. Estou no trabalho do emburrecimento e tento ignorar a mente. Até porque na academia eu só conto até 15. Na próxima liquidação do lápis vermelho eu quero comprar coragem pra fazer uma lipo. E pagar em 6x no visa.

esqueça tudo que você pensa sobre um spa

Ficar num spa é com certeza ser bem tratada. Todo mundo vai, sim, controlar o que você come. É tudo de qualidade, saudável, fresquinho e, quando tudo isso se junta com a fome, sopa de abóbora com frango vira uma iguaria dos deuses. Sim, todo mundo vai te servir o tempo inteiro. E te mandar pra academia, pra hidroginástica, pra massagem estética. (E te fazer pagar por isso, ok? Sem ilusão.) O lugar vai ser lindo, cheio de jardim, piscina e cascata. Seu intestino vai funcionar mesmo sem activia, sua pele vai ficar fantástica e mesmo que você não perca 5kg em 2 dias como gostaria e talvez só perca 2 kg em 2 semanas – o que é frustrante mas é melhor que nada – vai ficar se sentindo melhor com a imagem que vê no espelho. Até porque todos os espelhos do estabelecimento emagrecem, mesmo as recepcionistas negando isso até a morte.
No entanto, acho que as pessoas sofrem aqui. Não por estarem aqui, mas pelo que as fizeram vir. Mesmo sendo caro pra dedéu, tem quem venha obrigado. E aí eu te digo que as histórias de fuga de spa e contrabando de guloseimas são reais e bem menos engraçadas quando a gente vê de perto, ao vivo, na vida real no melhor estilo ‘aqui agora’.
Pessoas choram de alegria não quando entram nas tão sonhadas calças 40. Elas estão longe disso e se contentam em parar de ver 3 dígitos quando sobem na balança. Elas choram quando enxergam seus pés desincharem ou quando conseguem caminhar na esteira por mais de 15 minutos. Mesmo que seja numa velocidade muito, muito, muito baixa.
Meu plano era fazer piada com o período em que vou ficar rodeada de gordinhos. Mas isso não é engraçado. Hoje em dia fazer piada com gordinho me soa tão idiota e de tão mal gosto quando fazer piada com negro ou homossexual. Porque estar num spa por alguns dias pra relaxar, pegar sol, fazer massagem e comer alimentos orgânicos é gostoso, é chique, é higiene mental. Mas morar num spa por 8 ou 10 meses, longe de todo mundo que você gosta porque você pode não durar até o fim do ano, ou porque a obesidade te deu um câncer de fígado, ou porque seu sonho é uma cirurgia de redução de estômago mas, com o seu sobrepeso, você não sobrevive nem à anestesia, ou porque você já operou do estômago há 11 anos e mesmo assim não consegue emagrecer me parece um BBB às avessas: as pessoas, aqui, querem perder.

Muito tempo se passou…

Meu Brasil, nem eu sabia que tinha tanto tempo que o blog não tinha texto novo. Eu voltei a trabalhar, meu filho completou um ano e eu tirei um tempo pra vir pra um spa. Neste instante tô usando um wifi vagabundo pra tentar fazer as pazes com meu hábito de escrever aqui. E usando o spa pra perder a polchetinha brega que só um pós-parto te oferece. E, claro, pra provar minha teoria de que uma temporada num spa é muito, muito, muito mais catártico do que qualquer cartomante, psicólogo ou cachaçada que você já conheceu na vida.
Aguarde e confie.

Quem?

A aba ‘quem?’ tá atualizada.
Que a força esteja com você.

não faço nada e me acham legal

Sou sortuda e já provo isso pra vocês. Não que eu tenha ganho na megasena – ainda, deve ser encosto – mas pequenas situações sortudinhas sempre rodearam a minha existência. Desde que eu nasci tive bebê que tava a fim de sair pra um lugar barulhento ficar tentando conversar com os amigos enquanto tomava espumante. Não que eu não goste de dançar, mas dificilmente a gente dança em lugares dançantes quando vamos com amigos. Só que, né, agora eu tenho cria, mamadeira, banho, musiquinha de ninar, talecoisa. Só que Marido, um cara que comprova que sorte pode ser algo recíproco, me disse ‘vai se divertir que eu seguro as pontas,’ Juro.
E eu fui. Fui, não, porque ‘fui’ é pouco pro que aconteceu. Eu me joguei num triplo mortal carpado crocante com queijo, molho especial, cebola, picles num pão com gergelim, coberto com o delicioooooso chocolate nestlé. Sorte de ter um marido que, sem dúvida, me merece.
Aí, tô eu lá no balcão, gritando com meus amigos porque o som tava alto, ni qui pára do meu lado uma moça. Uma garota. Uma mulé, sei lá, um ente do sexo feminino. E pede um tequila pro garçon. Tequila, bebida para iniciantes, todos sabemos. Tequila, algo que não derruba ninguém. Tequila, uma bebida mexicana feita de agávia mas que se você colocar no tanque do seu carro, caro leitor amigo, ele vai andar. Tequila, a malvada que já machucou muita gente. Tequila. Ela.
Garçon Josivaldo (eu sempre sei o nome dos garçons, isso garante atendimento vip e faz com que eles te deixem tocar sinos nas boates) chega com o copinho, o saleiro e o limão.
A guria fez aquela cara de tela azul do windows, tá ligado? Pã.
Eu, que sou uma pessoa prestativa, gente boa e trabalho duro neste planeta pra conseguir a minha quitinete com cama kingsize no céu, fui dar uma mão pra criatura, né? Por que a beginer tava querendo tacar limão e sal dentro do copo de tequila, numa versão mal feita de caipirinha salgada, eu precisei intervir. Até porque eu já bebia quando era solteira (e não PASSEI A BEBER depois que sofri com as solteirices da vida, se é que você me entende…) e não que eu seja uma alcóolatra, mas se aprendi até onde posso beber sem vomitar nas palmeiras da Esplanada dos Ministérios, não foi só tomando coca-cola. Convenhamos.
Então eu expliquei que primeiro vinha o sal, depois aquela talagada de responsa e só então o limão, pra enganar a língua. Ela fez tudo direitinho, me deixou toda orgulhosa, agradeceu muito e disse que eu era muito simpática. MUITO SIMPÁTICA. Ela provavelmente vai ter a ressaca mais voraz e estarrecedora de toda a existência dela, mas eu fui simpática né, ensinei ela a fazer isso consigo própria.
E é sempre assim que eu faço amigas nas baladas. Sério.
Ou então quando eu ouço as histórias delas no banheiro, dou conselhos, ligo pros ex delas e os mando tomar no cu às 4 da madrugada.
Mas esse é outro assunto.

existe vida após a maternidade?

UPDATE: os posts sobre meu pé quebrado a que me refiro no texto a seguir estão nos arquivos de outubro e novembro de 2005 desde blog. Obrigada.

Meu Brasil varonil, e eu que achei que nunca mais ia ter tempo de chegar perto de um computador nem pra pagar o carnê das casas bahia pelo site da CAIXA, o banco que acredita nas pessoas, heim? Tô até no twitter agora, gente, eu sou uma pessoa super in, vocês sabem.¹
Sigo o G1, a Veja, a Caros Amigos. E sigo o seginho do big brother, inclusive, mas por favor não me julguem, porque tem gente que assiste pânico na tv e lê esse blog e mesmo assim eu não bloqueei o acesso de ninguém. Cada um na sua.
Ó, vou contar pra vocês uma coisa muito verdade: eu fiquei com medo-terror-pânico-apavoramento de nunca mais conseguir ser nenhuma das outras pessoas que moram dentro de mim além da kríscia-mãe. Que troço doido, coleguinhas. Mas as coisas se ajeitam e a baranguice pós-paridez vai melhorando. E os hormônios voltam pro lugar, gente. Porque esse lance de pós-parto, se vocês forem procurar sinônimo no dicionário, vão achar algo tipo ‘transtorno bipolar’, ‘esquizofrenia’, ‘processos borderline’, doideiras do tipo. E olha que eu não cheguei nem perto de ter a depressão pós-parto propriamente dita. Só quem vive sabe do que eu falo. Além disso, algumas roupas voltam a entrar e você fica feliz.
Outras, entretanto, não passam nem nas coxas e você fica deprimida, à base de lexotan, e acaba criando coragem pra voltar a passar manhãs inteiras na academia fazendo aula de jump pra perder aquela pochete que mais parece mochila de notebook, manja? E quem lê o TPQ há algum tempo sabe que meu trauma com camas elásticas é sério e será carregado pelo meu corpo espiritual por muitas encarnações, ainda. Coisa cármica mesmo. Se você não sabe da história, procure no google por algo tipo ‘tá pensando o quê meu pé quebrado’ ou vá nos arquivos aqui do blog mesmo, procure pela data. Acho que esse fato deprimente aconteceu em setembro de 2006. Ou 2005. É uma história longa e eu tenho preguiça de procurar o post e linkar aqui, mal aê. Vale dizer, a propósito, que rir da desgraça alheia é muito feio, harám muito grande.²
Pois bem, prossigamos. A maternidade empobrece o homem (e no caso, a mulher também) assim como o vício em axé music e cocaína, coisas muito caras de se manter. Só que os bebês não deixam resto de pó branco nos nossos narizes, nem nos deixam desesperadas para customizar abadás, nem com as panturrilhas doendo nem ressacas homéricas depois de vários dias no circuito barra-ondina. Eles, (os bebês, não os vícios) retribuem as dores nas costas, os peitos que ficam assim, meio que que como time que não sai da zona de rebaixamento, as noites mal dormidas, coisa e tal. Pelo menos até os seis meses meu filho retribuiu, o que certamente não vai acontecer quando ele tiver 17 anos e arrumar uma namorada oxigenada periguete-popozuda-baile-funk e resolver passar as noites namorando no carro e só aparecer em casa às 7hrs, depois de eu ter ligado pras delegacias, hospitais, necrotérios, aquela coisa toda que eu conto pra vocês, no detalhe, quando acontecer.
Enquanto isso, estou pensando em convencê-lo a fazer arquivologia, ou biblioteconomia, ou algum curso desses que quem faz e depois passa em concurso ganha 10 mil por mês só pra colocar livros e documentos em ordem alfabética. Ele poderá ser também pagodeiro ou jogador de futebol, desde que bem sucedido, claro. E quando eu penso na última possibilidade, só rezo pra que ele não resolva se casar com alguma Stephany Brito da vida…
Mâe sofre, viu?

¹ A quem interessar possa: siga-me (ou só bisbilhote, porque quem tá na chuva é pra se molhar) pelo @krisciamedeiros.
² Sugiro a leitura dos posts da época só pra que tudo isso faça um pouco mais de sentido (?).

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