Tá Pensando o Quê?

Mês: março, 2005

DE VOLTA À ILHA QUADRADA

A Prévia

AMIGA PROMOTER DO EVENTO –
Ok, vamos no meu carro, eu, você, meu namorado e mais uma amiga. Lembre-se de que tenho um Palio e não um caminhão, portanto, maneire na mala.

EU –
Maneirar na mala?

AMIGA PROMOTER DO EVENTO –
No mais, não precisa levar secador porque tô levando o meu. Mas estamos todas contando com seus 752 protetores solares de todos os fatores imagináveis, cada um para uma parte do corpo.

EU –
Maneirar na mala?

AMIGA PROMOTER DO EVENTO –
Sairemos da minha casa às 13:00, mas registre no seu cérebro que a hora combinada é 11:00. Talvez assim você chegue só 1h atrasada.

EU –
Maneirar na mala?

Pois bem. Lá vai você, linda e vaporosa, tentar fazer uma mala pequena, já que você tem um defeito de fábrica que te impede fisiologicamente de chegar nos locais combinados na hora combinada.
Maneirar na mala, no seu conceito, significa levar 1/3 da intenção inicial de tranqueiras. Sem deixar de fora – claro! – aquele seu sobretudo de lã para situações contingenciais em que pode nevar ou rolar uma tempestade de areia, mesmo quando se está indo pra um lugar quente e úmido onde é humanamente impossível sobreviver sem ventilador/ar condicionado.
Ah, sim, seus malabares fluorescentes TÊM que caber na mala mesmo que a sua alma tenha que ficar em casa.

A Chegada – parte I

Não só você e seus 752 amigos, mas todo o resto da população brasiliense e do entorno resolve ir pro mesmo lugar que vocês no feriado. Isso inclui, como não poderia deixar de ser, gente-que-causa-problema-ponto-com-br, como seu (agora ex, para sempre ex, amém!) pseudo-namorado. Você, em cima do seu Luiz XV, dribla a situação com classe e tenta abstrair o constrangimento enquanto se expreme no meio do povão pra pegar seu abadá, ouvindo uma swingueira-baixaria qualquer ao fundo e rezando pra cerveja não esquentar.

A Chegada – parte II

Chalé bem bonitinho: 2 quartos, 1 banheiro, sala e cozinha. Varandão. Tudo beleza. Não fosse o fato de que na casa em que caberiam 8 pessoas apertadas, a gente acomodou 12 pessoas espaçosas com malas do tamanho de Júpiter. (mencionei que o fato de que o chalé tem UM, e somente UM, banheiro?)
Dessas 12 pessoas espaçosas, pelo menos 7 tomariam banho de forma regular e demorada, por serem do sexo feminino e só usarem brinco que combine EXATAMENTE com o tom do abadá, que a propósito era rosa e causou frisson na mulherada, já que toda mulher que se preze tem batom, sombra, brinco e lingerie rosa, entre outras coisas.

TODO MUNDO AO MESMO TEMPO EM DESESPERO –
Caracas, não cabe todo mundo nessa casa, não tem colchão pra todo mundo, morreremos cozidos nesse calor, os namorados ficarão sem sexo com privacidade durante todo o feriado, blábláblá, mimimimi…

EU –
Tenho algo pra falar que vai mudar a vida de vocês!

TODO MUNDO AO MESMO TEMPO EM DESESPERO –
Agora não, estamos tentando resolver onde dormiremos!

EU –
TENHO ALGO PRA FALAR QUE VAI MUDAR A VIDA DE VOCÊS! (pulando como criança birrenta)

TODO MUNDO AO MESMO TEMPO EM DESESPERO –
CALA A BOCA E VAI TOMAR BANHO, SAIREMOS DAQUI A DUAS HORAS E MEIA E SE VOCÊ NÃO ESTIVER PRONTA, VAI FICAR!

EU –
*chuif* (segue cabisbaixa em direção ao banheiro)

Tomei banho e fiquei pronta em duas horas, eu acho. Um bom tempo, acredite. A essa altura as outras 11 pessoas já tinham tomado banho (os homens na ducha do quintal, obviamente e como não poderia deixar de ser) e, enquanto as mulheres passavam delineador, os rapazes tomavam cerveja impacientes e se machucavam nas partes baixas, tentando rodar meus malabares. (fotinhas available soon)

(continua… Eu acho.)

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SÓ PRA CONTROLE: ATÉ A VOLTA

Ok, Páscoa.
Ai, a páscoa, uma época chocolaticamente correta.
Estarei desligada ou fora da área de cobertura pelos próximos dias, mas por motivos bem fofudos, cheirosos, gostosos e bêbados.
Só quero que vocês descansem bastante e fiquem tranqüilos: comerei carne vermelha na sexta-feira santa por todo mundo. Porque eu sou muito chata e bem do contra.
Depois da páscoa eu vou começar a ir pra aula e voltar a malhar. Juro. Me obriguem a cumprir as referidas promessas, nem que seja na pancada. Porque é só depois do carnaval da semana santa que o ano começa de verdade.Welcome to Caldas Novas!

QUANDO SE TEM UM AMIGO FUNDAMENTALISTA

Kriscia diz:
prefiro a páscoa do que o natal.

Kriscia diz:
acho que Jesus também preferiu a páscoa, nascer num estábulo… Sei não.

Kriscia diz:
sempre acho que ele teve algum tipo de infecção hospitalar, no meio das vacas, gente, não dá.

Partindo pra Caldas Amanha!!! diz:
mas ele fazia milagres! Não ia ficar doente assim fácil, né?

Kriscia diz:
mas ele era só um bebê…

Kriscia diz:
Maria lá, parida…

Kriscia diz:
não sei.

Kriscia diz:
deve ter tido altas gripes, vivia no sol.

Partindo pra Caldas Amanha!!! diz:
mas Deus protegia ele

Kriscia diz:
sabe, não que eu duvide que Deus protegia, longe de mim, mas vc acha mesmo que Jesus veio na terra sem ter sequer uma cariezinha?

Kriscia diz:
Duvido! Ele tinha a parte humana.

Kriscia diz:
Há quem diga que ele se envolveu sentimental e sexualmente com Maria Madalena, aquela prostituta que ia ser apedrejada pq foi ganha, sabe?

Partindo pra Caldas Amanha!!! diz:
isso é fofoca do povo

Kriscia diz:
Ela se arrependeu e eles então teriam se apaixonando e vivido um namoro massa.

Kriscia diz:
Há estudos históricos que apontam para a veracidade dessa versão, sério mesmo.

Partindo pra Caldas Amanha!!! diz:
ISSO É FOFOCA! Olha, pára de falar dele q vc não gosta q fiquem falando de vc!!!

Kríscia diz:
¬¬

DAQUELAS COISAS QUE SÓ ACONTECEM COMIGO

Cena 01
Você beijando um fofudo dentro do carro. Na verdade você não ficou só no beijo porque perdeu o juízo e agora faz coisinhas dentro do carro dia sim, outro também. (‘Que feio falar disso num blog!…’ Nhé.)
Pessoas conscientes e antenadas nas estatísticas de gravidez na adolescência, aids, sífilis e micoses tipicamente pubianas usam camisinha.
Mas como eu já passei da adolescência há pelo menos 6 anos segundo o IBGE, tomo pílula, não tenho aids nem sífilis (porque pra ter isso é preciso é pegar alguém o que não é o caso nos últimos muitos tempos) e sou limpinha o suficiente pra não ter micoses, uso camisinha por outros motivos que, esses sim, são impróprios pra se falar num blog.
Pois bem.
Caiu um toró daqueles típicos de março aqui na capital federal e eu fui pra casa ouvindo meu cd de pagodes paulistanos quinta catê.

Cena 02
Dia seguinte, você na sua cama quentinha, a chuva caindo e você ouve ao fundo o Bom Dia Brasil.
Seu pai vem te sacudir como faz todo santo dia de manhã, como se você fosse uma tequileira e fala algo tipo ‘eaê, bora acordá?’ mas você prefere fingir que ouviu um ‘bom dia’ carinhoso e levanta da cama.
Olhada básica no espelho: roxos na sua poupança e marcas de dentes na sua coxa.
Você segue sonolenta para o banho, ouvindo a voz da Miriam Leitão ao fundo e sentindo cheiro de ovo frito matinal.

Cena 03
Depois de desatolar seu carro da lama fofa do seu quintal, você nota que o carro do seu pai não pega, não funciona, desmaiou, afogou, morreu ou algo assim.
Você então se oferece pra deixá-lo no trabalho, só por educação mesmo porque seu super-pai trabalha de um lado da cidade e você de outro.
Mas ele não se manca e aceita a carona.
Ok.
[ironia] Em Brasília o trânsito flui muito bem, mesmo nas chuvas, então vâmo nessa. [/ironia]

Cena 04
Ao sair da sucursal da margem do rio Tietê em que se transforma o seu condomínio na época da chuva, você e seu pai dentro do seu corsinha porpurinado avistam sua vizinha tentando colocar as duas filhas dentro do carro pra ir pra escola.
O carro da sua vizinha, sim, estava afogado. No buraco. Bem de bico. Com a parte do radiador (eu sei o que é um radiador, rá, rá! Não que eu saiba pra que ele serve, mas esse é outro assunto) afundado na água.
Então você pensa: ‘vou oferecer carona, só por educação’. Olha pro banco do passageiro, vê seu pai segurando no puta-que-pariu do seu carro enquanto coloca no rádio do SEU carro o cd ‘Leandro canta o melhor do Brega’, porque ele quer te mostrar ‘o que é música boa’. Então logo desiste da idéia, porque sabe que as pessoas não costumam entender quando você oferece carona SOMENTE por educação.

Cena 05
Você se entrete com todas essas sinapses acontecendo no seu cérebro e quando você dá por si, as duas bonequinhas (de 3 e 8 anos, respectivamente) já estão dentro do carro. Com os pés lameados no seu carpete cuidadosamente aspirado por você mesma no fim de semana. Porque madre Tereza de Calcutá só fazia caridades porque não tinha carro.

Cena 06
Crianças de oito anos lêem tudo que vem pela frente. O seu carro, quem te conhece sabe, parece um container ambulante do SLU: propagandas de planos de saúde, de espíritas videntes que fazem amarração pro amor (nunca se sabe, ué!), bulas de remédio, extratos de cartão de créditos, embalagens do mc donalds e todas aquelas coisas cheias de letrinhas que levam crianças de oito anos a quererem soletrar e crianças de três anos a colocarem na boca.
A questão é que crianças de oito anos soletram tudo em voz alta. Isso nem seria assim um probleeeeeeeeema, se não fosse o Leandro cantando o melhor do brega ao fundo.
Porque nada está tão ruim que não possa piorar.

Cena 07
Eis que você olha pelo retrovisor, porque trânsito em dia de chuva é pesado e nem só pra retocar o gloss serve aquele espelhinho no meio do teto do carro.
A desenfeliz de três anos está lá, lambendo com vontade alguma embalagem de alguma coisa que você não consegue identificar porque tem um grau de astigmatismo em cada olho.
Então de repente, não mais que de repente, a outra criatura de oito anos pega o tal papel e começa a ler, em voz alta:
‘lar-gu-ra-cin-quen-ta-e-dois-ême-ême-só-a-brir-na-ho-ra-de-usar-não-ex-por-a-luz-so-lar’.
Todas as suas luzes de alerta interno começam a piscar desesperadamente, enquanto seu pai, que até agora não teve coragem de soltar o puta-que-pariu do carro porque sabe o quanto você dirige mal, cantarola de forma desafinada e quase insuportável algo tipo ‘Conceiçããããão, eu te conheço muito beeeeem’.

Cena08
Você começa a rezar pra nossa senhora da bicicleta amarela pra que aquele papel não seja o papel que você está pensando que é.
Mas quando a fela-de-uma-égua resolve ler o outro lado da embalagem, você tem certeza:
‘Pre-ser-va-ti-vos-lu-bri-fi-ca-dos-an-ti-a-lér-gi-cos-vi-de-ins-tru-ço-es-de-u-so-no-ver-so’
Você olha pro seu pai num desespero digno de qualquer coisa muito desesperadora que eu não consigo imaginar agora e fala, num tom de quem está tranqüila e calma: ‘muito bom esse cd, heim, pai? Aumenta, aí pra gente curtir esse som da pesada. Criatura de oito anos, cala a boca, estamos ouvindo música da boa! Humpf.’
Seu pai, mais desligado do que rádio na hora da voz do Brasil, fica todo orgulhoso, você chega na escola das criaturas, limpa a boca da menor que tá toda lambrecada de lubrificante e todos vivem felizes para sempre.

SOBRE O QUANTO TENHO AMIGOS LEGAIS – parte II

– Alguém chegou no meu blog procurando por ‘poderosa’.
– E ainda tem gente que diz que os mecanismos de busca na internet são confiáveis, é lamentável!
– ¬¬

SOBRE O QUANTO TENHO AMIGOS LEGAIS

– Acredita que um dia desses sonhei que o Lago Paranoá se tornava surfável?
– Sério? E você surfava nele?
– Não, só via a reportagem na TV.
– Isso é seqüela da maconha!
– ¬¬

DA SÉRIE: POST SEM TÍTULO

Eu tenho a impressão de que a lei da causa e efeito, na minha vida, tem a parte do ‘efeito’ em eco. Sabe como é? Eu dou uma topada com o dedo mindinho na quina do armário só uma vez, mas a dor fica ali, ecoando, ecoando, ecoando, como só acontecem com os grandíssimos azarados no nosso tempo.
Eu poderia dizer que quero flores, mas flores é pouco. Eu poderia dizer que queria ganhar na mega sena, mas também é pouco. Eu poderia dizer que quero me casar, mas estamos tentando falar de coisas boas que podem acontecer na vida de alguém e não em acontecimentos negativos que podem nos pegar desprevenidos a qualquer momento.
Talvez eu precise de coragem, mas não sei onde vende…

Ai… Me dá um abraço?

TPM MODE HARD

Eu não escrevi nada sobre o dia internacional da mulher porque eu sou mulher todos os dias do ano, ué!
Na verdade, pelos meus cálculos, eu sangro 85 dias no ano, tenho cólicas daquelas de quem vai parir um alien pelo menos 24 dias no ano (tirando a TPM, o mau-humor, a vontade de matar meu irmão e as lágrimas derramadas de forma convulsiva e desesperada durante os comerciais de sabão em pó, margarina e naquelas propagandas de ‘sou brasileiro e não desisto nunca’, o inchaço e a sensação de quem engoliu uma melancia sem mastigar, a dor no peito, a dor na alma, o estrógeno ns alturas, as espinhas em lugares absolutamente indesejáveis, a impossibilidade (teórica) de fazer sexo (‘que feio falar isso num blog!…’ Nhé.) e o fato de ninguém levar a sério nada do que você diz ou pensa nesse período.
Pelo menos posso morder as pessoas gostosas e fofudas que me rodeiam, porque nem tudo é triste nessa vida.
Se isso não é ser mulher todos os dias do ano, meu bem, então eu não sei o que é.

BLOG-PROBLEMA: AS PESSOAS ACHAM QUE TE CONHECEM

– Ontem eu li o seu blog.
– *cara de paisagem*
– pois é, sou amigo de um cara que está na sua lista de friends, que tem a comunidade do seu blog na lista dele.
– *cara de pasagem II*
– Eu particularmente acho que lingerie laranja combina com a cor da sua pele. Na minha cama você caberia num PP fácil, fácil.
– *cara de paisagem III*
– Mas que coisa, você está solteira, né?
– Sim, estou. Solteira e FELIZ, do verbo ‘não preciso de sarna pra me coçar no momento’.
– Então por que pediu currículos?
– Pra evitar que gente como você ficasse alvoroçado.
– Hum… E a vaga está preenchida, a fila andou?
– Digamos que sim.
– Jura? Me conta esse babado!
– ¬¬

COELHINHO DA PÁSCOA, QUE TRAZES PRA MIM?

Ontem, depois que eu saí do trabalho, passei no dráive trú do Mc Donalds, comprei uma mc oferta do Big Mac e fui ver caras gatinhos correndo e suando e fazendo exercícios abdominais, enquanto seus pit-bulls e Bull Terriês ficam amarrados no ferro da paralela do circuito inteligente do Parque da Cidade.
Foi quando me deu um insight de que até hoje não cumpri a minha promessa de ano novo: voltar pra academia. É bem verdade que não parei de beber também, mas isso não vem ao caso.
Mal tive tempo de tentar esquecer o fiasco que foi o meu reveillon e perder os quilos extras adquiridos nas festas de adeus 2004 (e os outros extras adquiridos antes) e já é páscoa, meu Deus, páscoa, uma epocazinha vagabunda e engordativa em que minha vó faz bacalhau pra toda a filharada, netaiada e agregados e minha mãe me obriga a levá-la na via sacra da Ermida.
Lojas Americanas lotadas de gente que despedaça os ovos de chocolate de tanto apertá-los e, como super-pai tem claustrofobia, dautonismo e uma filha-gente-boa-consumista, adivinha quem enfrenta a geral do Maracanã em dia de Fla x Flu na qual se transforma as Lojas Americanas pra comprar ovos de páscoas pra sobrinhos, afilhados, mãe, empregada e porteiro?
Quem, quem, quem?

Eu sou da opinião de que Jesus podia parar com essa brincadeira sem graça de nascer, morrer e ressuscitar em menos de 6 meses, porque não há bolso que agüente, vâmo combiná!

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