DO QUANTO EU ANDEI OCUPADA TOMANDO VERGONHA NA CARA

por Kritz

Você se envolve com um cara que é legal e inteligente porque, enfim, você está apaixonada. A paixão passa porque essas coisas passam e, então, você enxerga o quanto ele consegue ser infantil, manipulador e chantagista emocional, que tem a coragem de acabar um namoro que proporciona sexo de qualidade e sorvetes nas tardes de domingo só porque você tem vida própria: consegue voltar da faculdade pra casa sem que ele tenha que ir te buscar, consegue respirar sozinha e escolher suas roupas sem a ajuda dos universitários.
A sua feiúra se cansa e você resolve mandar ele voltar pro buraco de onde você nunca deveria tê-lo tentado tirar.
E então ele se desespera (mais uma vez) quando você (mais uma vez) diz que não quer mais aquele namorinho doente pra você. Ele (mais uma vez) não acredita e fica esperando que (mais uma vez) você fique com cara de quem comeu jiló por dois dias, voltando atrás na sequência só porque ele te mandou flores e pagou o motel.
Mas dessa vez você não quer. Não quer porque não quer, mulheres tem dessas coisas, quando dizem que não querem podem querer ou não querer e, no seu caso, dessa vez, não querer significa não querer, porra!
Só que obviamente o tal cara não vai acreditar porque já viu você dizendo que não queria quando na verdade queria. Ou pelo menos não tinha coragem de bancar o que deveria ser feito. Porque mulheres tem dessas coisas, também.
Então ele (mais uma vez) vai se humilhar e (mais uma vez) mandar flores pro seu trabalho, (mais uma vez) infernizar seus amigos e (mais uma vez) aparecer na sua casa chorando de madrugada.
Você finge que é um ser misericordioso, mas na verdade não dá a mínima: as suas pernas estão doloridas porque você anda ocupada demais sendo feliz pra ficar pensando em dar a milésima chance pra gente que já te sacaneou 999 vezes.
Porque quando você é boa você é boa, mas quando você é má você é ótima e resolveu colocar em prática tudo que leu nos editoriais de Marie Clarie.
Voltaremos, pois, à programação normal.

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