DE VOLTA À ILHA QUADRADA

por Kritz

A Prévia

AMIGA PROMOTER DO EVENTO –
Ok, vamos no meu carro, eu, você, meu namorado e mais uma amiga. Lembre-se de que tenho um Palio e não um caminhão, portanto, maneire na mala.

EU –
Maneirar na mala?

AMIGA PROMOTER DO EVENTO –
No mais, não precisa levar secador porque tô levando o meu. Mas estamos todas contando com seus 752 protetores solares de todos os fatores imagináveis, cada um para uma parte do corpo.

EU –
Maneirar na mala?

AMIGA PROMOTER DO EVENTO –
Sairemos da minha casa às 13:00, mas registre no seu cérebro que a hora combinada é 11:00. Talvez assim você chegue só 1h atrasada.

EU –
Maneirar na mala?

Pois bem. Lá vai você, linda e vaporosa, tentar fazer uma mala pequena, já que você tem um defeito de fábrica que te impede fisiologicamente de chegar nos locais combinados na hora combinada.
Maneirar na mala, no seu conceito, significa levar 1/3 da intenção inicial de tranqueiras. Sem deixar de fora – claro! – aquele seu sobretudo de lã para situações contingenciais em que pode nevar ou rolar uma tempestade de areia, mesmo quando se está indo pra um lugar quente e úmido onde é humanamente impossível sobreviver sem ventilador/ar condicionado.
Ah, sim, seus malabares fluorescentes TÊM que caber na mala mesmo que a sua alma tenha que ficar em casa.

A Chegada – parte I

Não só você e seus 752 amigos, mas todo o resto da população brasiliense e do entorno resolve ir pro mesmo lugar que vocês no feriado. Isso inclui, como não poderia deixar de ser, gente-que-causa-problema-ponto-com-br, como seu (agora ex, para sempre ex, amém!) pseudo-namorado. Você, em cima do seu Luiz XV, dribla a situação com classe e tenta abstrair o constrangimento enquanto se expreme no meio do povão pra pegar seu abadá, ouvindo uma swingueira-baixaria qualquer ao fundo e rezando pra cerveja não esquentar.

A Chegada – parte II

Chalé bem bonitinho: 2 quartos, 1 banheiro, sala e cozinha. Varandão. Tudo beleza. Não fosse o fato de que na casa em que caberiam 8 pessoas apertadas, a gente acomodou 12 pessoas espaçosas com malas do tamanho de Júpiter. (mencionei que o fato de que o chalé tem UM, e somente UM, banheiro?)
Dessas 12 pessoas espaçosas, pelo menos 7 tomariam banho de forma regular e demorada, por serem do sexo feminino e só usarem brinco que combine EXATAMENTE com o tom do abadá, que a propósito era rosa e causou frisson na mulherada, já que toda mulher que se preze tem batom, sombra, brinco e lingerie rosa, entre outras coisas.

TODO MUNDO AO MESMO TEMPO EM DESESPERO –
Caracas, não cabe todo mundo nessa casa, não tem colchão pra todo mundo, morreremos cozidos nesse calor, os namorados ficarão sem sexo com privacidade durante todo o feriado, blábláblá, mimimimi…

EU –
Tenho algo pra falar que vai mudar a vida de vocês!

TODO MUNDO AO MESMO TEMPO EM DESESPERO –
Agora não, estamos tentando resolver onde dormiremos!

EU –
TENHO ALGO PRA FALAR QUE VAI MUDAR A VIDA DE VOCÊS! (pulando como criança birrenta)

TODO MUNDO AO MESMO TEMPO EM DESESPERO –
CALA A BOCA E VAI TOMAR BANHO, SAIREMOS DAQUI A DUAS HORAS E MEIA E SE VOCÊ NÃO ESTIVER PRONTA, VAI FICAR!

EU –
*chuif* (segue cabisbaixa em direção ao banheiro)

Tomei banho e fiquei pronta em duas horas, eu acho. Um bom tempo, acredite. A essa altura as outras 11 pessoas já tinham tomado banho (os homens na ducha do quintal, obviamente e como não poderia deixar de ser) e, enquanto as mulheres passavam delineador, os rapazes tomavam cerveja impacientes e se machucavam nas partes baixas, tentando rodar meus malabares. (fotinhas available soon)

(continua… Eu acho.)

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