por Kritz

(continuando…)

Passou um tempo e a minha amiga me ligou, não menos bêbada que eu, dizendo que tinha enfiado o carro numa vala e estourado o pneu. (Sim, eu tenho vergonha dos meus amigos!)
Eu teria que ir socorrê-la não porque gostava muito dela, mas porque ela tinha sob seu poder a MINHA garrafa de José Cuervo Gold e não é todo dia que eu tenho bebida de qualidade ao meu alcance.
Ok. O pânico tomou conta do meu ser. Porque meu carro não estava ali e eu não teria como ir socorrê-la. A menos que…

Ele – O que houve?
Eu – Lorena.
Ele – ?
Eu – Bêbada.
Ele – Ó, não me diga!
Eu – Enfiou o carro da mãe dela na vala, estourou o pneu, acabou com a roda e o conserto vai ficar uma nota mas ela ainda não sabe disso…
Ele – ?
Eu – Eu vou socorrê-la.
Ele – Como?
Eu – Não sei, pego um táxi.
Ele – Não.
Eu – Sim.
Ele – Não!
Eu – Sim!
Ele – Eu te levo.
Eu – NÃO!
Ele – ?
Eu – Não precisa.
Ele – Que isso, faço questão.
Eu – Que nada, fica com seus amigos, sou uma garota atitude e resolvo tudo com facilidade. (eu minto pra sobreviver, veja só você.)
Ele – Não vou deixar você ir sozinha.
Eu – Mas não precisa ir, eu me viro.
Ele – NÃO VOU DEIXAR VOCÊ IR SOZINHA E TÁ ACABADO!
Eu – *chuif*

Saímos da boate e ali na porta estava a filha da égua, na cara mais lavada, pneu trocadinho, cara de fofinha.

Eu – O que houve?
Ela – Já resolvi.
Eu – Nota-se. Como?
Ela – O taxista trocou o pneu pra mim.
Eu – Hum…
Ela – Estou indo nessa, então. Tchau.

E lá se foi ela, sem devolver minha garrafa de José Cuervo. E ficamos ali, eu e ele, ele e eu e o taxista gente boa, na frente da boate.

Eu – Pois é, né…
Ele – É, pois é…
Eu – Vou nessa, então.
Ele – Beleza, te levo.
Eu – não precisa…
Ele – ¬¬
Eu – Ok, mas eu pago o estacionamento.
Ele – Demorô.

E fomos pra onde estava o meu carro. Um silêêêêêncio sepulcral no carro. Foi a viagem mais longa que eu já fiz na minha vida. E o meu coração pulsava na boca. E eu quis abrir a porta do carro em movimento, me jogar e sair rolando mas ia ser ridículo demais, então eu desisti e fiquei quietinha tentando me distrair com a música, da qual eu me lembro até hoje, a propósito.

Ele – Chegamos!
Eu – *pânico tomando conta do meu ser* – Obrigada.
Ele – Imagina.
Eu – Sério, obrigada, desculpa o transtorno.
Ele – Que transtorno que nada…
Eu – Então… Tchau.
Ele – Tchau.
Eu – Tchau.
Ele – Tu não vai se despedir de mim direito, não, sua tosca?
Eu – *abracinho de leve*
Ele – *me abraçando mais forte* – gosto de você pra caramba.
Eu – *em pensamento – puta que pariu, não fala baixinho assim no meu ouvido!* – Você é legal.
Ele – vou sentir sua falta.
Eu – *em pensamento – ai meu deus do céu, ai meu deus do céu, ai meu deus do céu* – Vou sentir também.
Ele – *silêncio*
Eu – *silêncio, medo, 200 bpm, suadouro, perna bamba*
Ele, eu disse ELE: me beijou e a casa caiu.

E foi isso.

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