DE COMO A MINHA MENTE DÁ VOLTAS

por Kritz

Eu, né, claro, como todo ser humano que merece respirar e estar na terra, já sofriiiiiiiiii de dor de coração, problemas com auto-estima e aquela coisa idiota que a gente sempre se pergunta quando acaba um relacionamento de anos e anos a fio cheio de sujeiras que se empurram pra debaixo do tapete em nome da ‘tradição’ que você instituiu de sempre estar com aquela pessoa em todo lugar que você vá, seja na rua, na casa ou na fazenda: ‘Oooooh, Céus, onde foi que eu errei?’
Você não errou em lugar nenhum, caralhos, as coisas simplesmente acontecem… Ai, ai, como eu queria pensar simples e prático assim quando tinha 21 anos e um namorado meu que eu amaaaaaaaaaava e com o qual eu ia me casar disse que preferia fazer coisas menores que eu e que me incomodavam deveras do que ter por perto uma pessoa como eu. Fala sério aqui pra mim: você também não se sentiria o mosquito do cocô do cavalo do bandido?
Pois é, eu me senti também. Me senti triste, infeliz, desgraçada, feia, burra, chata e incompetente. Incompetente porque, convenhamos, todo mundo olhava pra ele e me perguntava porque diabos eu tava com aquele menininho, mas eu gostava, eu era refém da hierarquia do ‘você faz tudo que eu quiser que você faça, porque eu sou mais que você, mando nessa bagaça e ponto final.’
E eu emagreci horrores e fiquei parecendo aquelas anorexas de passarela. (tirando a altura, claro, porque eu sempre fui um tampinha, mesmo)
E todo mundo me encontrava nas baladas (porque eu ia em absolutamente todas que eu sabia que ele estaria, pra vê-lo feliz e bem, fumando maconha e azarando as ripongas, pra eu sofrer bastaaaaaaaaaante e ficar pensando em como ele teria conseguido me esquecer em tão pouco tempo) me dizia sobre o quanto eu estava esbelta e bonita. E eu ficava pensando que sofrimento deve deixar a gente bonita, mesmo, porque eu estava só o pó por dentro e todo mundo me achava sempre elegante e linda.
Ai, ai…
Obviamente eu engordei tudo de novo quando a deprê começou a passar. E fiquei pensando que o fim não era algo assim tão ruim, porque eu também já não estava lá muito feliz com ele, um cara que já não dava mais conta de mim em nenhum sentido que a expressão possa ter (inclusive nesse aí que você tá pensando) que a fila anda, que quem não me quer não me merece, que tudo se supera e que, enfim, agora que eu estava melhor, precisava emagrecer porque todo mundo me achava mais bonita magra.
É bem verdade, nunca mais consegui emagrecer e ficar tão seca quanto naquela época. Mas aquela época eu não estava tão feliz quanto agora e se eu pensar, depois de engordar um pouquinho (pouquinho?) eu tenho peito, minha bunda aumentou, minha pele está um espetáculo e eu fiquei mó mulherão de comercial de cerveja (tá bom, tá bom, exagerei!). Além disso, estou vivendo coisas incríveis e fazendo cada coisa em cada lugar que mesmo que o policial batesse no vidro do carro com aquela lanternona na minha cara, eu não deixaria de agradecer do fundo do meu pâncreas e fígado por aquele energúmeno ter me dado um pé na bunda.
Juro!
E tudo isso eu pensei quando me lembrei que, não, eu ainda não me matriculei na academia, droga!

NOTA PESSOAL DA AUTORA
Primeiro namorado: se você estiver lendo isso, não leve a mal eu estar dizendo a verdade assim. Eu te amo, tá? Te amo assim, como eu amaria um irmão distante que foi morar láááá na Nova Zelândia e do qual eu honestamente nem sinto falta, mas amo.

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