ACADEMIAS DEPRIMEM QUALQUER CRIATURA

por Kritz

Finalmente eu me matriculei na academia. Bem no mês que paguei três multas, IPVA e cartão de crédito na bagatela de $750,00.
Isso quer dizer que bem no mês em que meu salário não vai dar pra pagar contas, eu paguei a academia com um cheque que, eu espero do fundo do coração, não volte.
Mas essa sem dúvida, não é a pior parte.
A pior parte é poder constatar, mais uma vez, que academia não é lugar pra gente rechonchuda que nem eu. Sou rechonchuda mesmo, tô mais pra Preta Gil do que Giselle Buntchen e pra ser magrela, meu filho, só nascendo de novo, e na Somália.
Pois bem: depois de 2 anos bebendo todos os dias do fim de semana, dormindo que só e usando o carro pra ir até no banheiro, eu me vi ali, em cima de uma bicicleta ergométrica, suando que nem tampa de panela, fazendo uma aula de spinning panque-roque-total com um professor saradão que quer que todos nós, alunos das 6:30 da manhã (juuuuuuuuro!) estejamos prontos pra correr na São Silvestre do final do ano. Tentei negociar e ele disse que estende o prazo pra, no máximo, a Volta da Panpulha do ano que vem.
Ok. Eu não sei se você entende, mas academias costumam ser freqüentadas, nesse horário super-ultra-matutino que eu escolhi pra fazer exercícios físicos e ficar em forma, pela terceira idade com qualidade de vida nota dez, aqueles coroas saradões e aquelas senhoras enxutas que gastam com plástica, botox e roupa de academia rosa pink quantias que eu, talvez, só gastasse com um carro roxo com ar condicionado e olha lá.
Isso deprime qualquer criatura! Porque as respeitáveis senhoras estão lá, azarando os garotões e fazendo todas as 752 fuckin aulas que gastam milhõõõões de calorias e saem inteiras e lindas, com o aplique de megahair no lugar, com a maquiagem definitiva no lugar, com o silicone no lugar, enquanto eu fico parecendo uma gelatina descongelada pulando naqueles jumps malditos e quase morro com 20 min em cima de uma bicicletinha mequetrefe.
Além disso, os professores olham feio pra quem come pão de queijo da lanchonete ou masca chiclete que não seja diet e fazem terrorismo dizendo que quem não malha não tem direito a usar biquíni de lacinho (eu, mesmo nesse meu tamanho todo, só tenho biquíni de lacinho, só pra controle!)
Tento não me descabelar porque, afinal, vou passar minhas férias na Argentina num frio de menos três graus, o que me leva a crer que não há chance de usar biquíni de lacinho enquanto esquio em Bariloche. (Porque, sim, eu sou gordinha mas tenho classe!) Mas ele responde com aquela voz macabra de eco de caverna que, mais cedo ou mais tarde eu vou voltar e querer ir pro Reveillon em Pipa. Então eu baixo a cabeça e saio desenchavida.
Ou eu adoto atitudes bulímicas temporárias com urgência ou vou acabar não aguentando e me suicidando.
Esmagada no ‘leg press’.

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