DEPOIS DA TPM VEM A BONANÇA

por Kritz

A TPM, todos sabem, é frescura de mulher. É a desculpa que mulher usa pra te tratar com a mesma sutileza de um elefante numa loja de cristais. Não só você, mas o pai, o irmão e o cobrador de ônibus.
Sem falar na choradeira, ai meu Deus, que pé no saco! Choram quando assistem comercial de sabão em pó porque, enfim, a mulher do comercial tem a roupa mais branca que a dela e mesmo de branco parece magérrima, enquanto 70% do armário dela é preto, marrom e cinza escuro e folgado, pra que ela pareça mais magra.
Choram também nos comerciais de cerveja. Porque mesmo tomando toda a cerveja necessária pra gravar um comercial daqueles, as mulheres gostosas continuam gostosas enquanto ela não consegue entrar na calça 46, por causa da retenção liquida.
Choram nos comerciais de margarina porque a família do comercial de margarina é feliz, o marido do comercial de margarina é bem humorado e ainda levanta mais cedo pra preparar o café, enquanto ela está deprimida e tem um namorado que não se lembra do aniversário de namoro, do aniversário do primeiro beijo, no aniversário da primeira briga e não ligou na última meia hora. Isso quando ela não tenta se matar porque não tem um namorado.
Mas a choradeira vem sem dó mesmo quando, em vez de você chamá-la de ‘meu amor’, você chama de ‘meu bem’. Entenda: na cabeça tepeêmica de uma fêmea, amar é mais do que querer bem e se você não chamou de ‘amor’ você não ama mais porque, enfim, ela está inchada e cheia de espinhas e seres rechonchudos e espinhentos não merecem, mesmo, serem amadas.
Ela implora atenção e se você dá, leva um coice, se não dá, é insensível. Nem todo o chocolate da via Láctea é suficiente para produzir a quantidade necessária de todos os hormônios que ela precise pra não ser enjaulada.
Ela fica com aquela cara de quem tomou sorvete sabor jiló durante dias e dias, sem nenhum motivo aparente. Se você pergunta se há algo errado, a resposta é um ‘não’ que mais parece uma leoa urrando. Se você pergunta ‘tem certeza?’ a reposta é um ‘sim’ cínico. Quando o silêncio paira na sala de estar e você resolve voltar a assistir o jogo ou trocar a lâmpada, ela resolve discutir a relação, falando de um jeito complexo e enigmático. Você então pergunta, do jeito mais confuso que consegue, se foi algo que você talvez tenha dito, feito, pensado ou vestido que pode talvez, quem sabe, tê-la atingido em níveis diretos ou indiretos e que pode estar influenciando para que ela esteja com aquela cara de quem comeu e não gostou e, aí sim, a choradeira vem com tudo. Ou a gritaria e os pratos voando na sua direção, depende do nível da coisa.
Alguém já disse por aí que uma criatura que sangra cinco dias e não morre não merece confiança.
Podia ao menos sangrar sem tanto estardalhaço, já seria alguma coisa!

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