Tá Pensando o Quê?

Mês: agosto, 2005

TENHO UM NAMORADO SUTIL – parte II

– Tava pensando em, depois que me formar, voltar a fazer terapia.
– Pra jogar dinheiro fora?
– Não ué. Sou muito chata, preciso de terapia.
– Ah, se for algo sério que esteja te incomodando, boto fé. É?
– Nãããão, nada a ver.
– Então. Aliás, eu troco muitas idéias com você.
– Verdade.
– Ta vendo? Pague o que me deve.

TENHO UM NAMORADO SUTIL – parte I

– Pô, aprendeu direitinho a dançar forró, heim?
– Pra você ver a que ponto chega uma pessoa, por interesse.

TEM COISAS QUE SÓ ACONTECEM COMIGO

Na quinta-feira, Namorado não pôde se deslocar pra almoçar comigo, então tive que ir atrás dele, afinal de contas não posso deixar ele largado por ai né, o mercado de homens anda meio inflacionado e um namorado como ele não se encontra em qualquer esquina. (tudo em negrito ele me obrigou a escrever. E a colocar em negrito.)
Desci 752 degraus andei uns 752 km pra chegar até meu carro, liguei o som ouvindo Bruno e Marrone amarradona e andando bem devagar, porque quem ouve Bruno e Marrone meio-dia não tem como correr né, vâmo combiná.
Foi quando de repente e não mais que de repente um animal resolve colar na minha traseira. Na minha não, na do meu corsa porpurinado. Enfim, você entendeu.
Não dei muita idéia porque ao fundo tocava “seu guarda seja meu amigo, me bata, me prenda, faça tudo comigo…” o que me impediu de enxergar a tempo um carro quebrado na minha frente, bem naquele trânsito infernal do sol a pino.
Num momento raríssimo de reflexo, desviei do carro. Eu desviei, mas o animal que estava colado na minha traseira tentando ler meu adesivo de pára-choque com os dizeres “se você está conseguindo ler isso é porque está perto demais”, não desviou e bateu no carro. Um carro, obviamente e como não poderia deixar de ser, dirigido por uma garota.
Na verdade não era carro, era um fiat, o que explica ele estar quebrado bem ali no meio da W3.
E foi daí que brotou toda a confusão, porque a tal da menina meteu o nariz no volante, que sangrava muito. (tanto o nariz, quanto o volante, necessariamente nesta ordem.)
Eu, essa que vos falo, que não consigo ver sangue mas também não consigo ver gente chorando, então parei, claro, porque sempre me meto onde não fui chamada.

Eu: Tá tudo bem?
Nariz sangrando com uma pessoa ao fundo: Sim, tudo bem. *chuif, chuif*, estou chamando o seguro, *chuif, chuif*.

Desce o Animal que estava tentando ler meu adesivo do pára-choque:

Animal: A culpa é toda sua!
Eu: Sua mãe vai bem? (o que está em itálico são pensamentos malignos e vis, voltados para sentimentos de vingança e vontade de quebrar a cara de gente babaca que atravessa o meu caminho.)
Animal: Quem mandou você desviar de repente? Tenho certeza que você comprou sua carteira!

Pára tudo.
Tenho uma carteira muito chique pra aparecer um energúmeno qualquer e falar uma asneira dessas! Fui obrigada pelas forças das circunstâncias a bater no cara, como uma boa garota que nunca se esqueceu dos golpes básicos de muai tai. (é como andar de bicicleta ou fazer sexo: uma vez aprendido, jamais esquecido.)
Claro que se formou um furdunço do tamanho do maracanã, com direito a platéia digna de estádio lotado.
Passada a confusão:

Aninal: Afinal o que é que estava escrito naquele seu adesivo do pára-choque?
Eu: ¬¬

SINCERIDADE? – parte III

Eu sou muito chata e metida a gostosona. Justamente por isso muita gente do meu trabalho me acha nojenta e faz cara de cu quando eu passo, sem antes não falar sequer um bom dia comigo.
Isso inclui um cara que parece ser até legal, honestamente falando.
Qual não foi a minha surpresa quando entrando naquele mundo de desgraças, desavenças e brigas com namorados que é o Orkut, dei de cara com um convite do dito cujo pra ser meu amigo.
Aceitei e deixei um scrap. Um scrap meio irônico. Cínico? Sarcástico talvez?
E você acredita que ele deletou meu scrap? Deletou assim, do verbo apagar sem deixar vestígios e fingir que nada aconteceu.
Ah, sim, claro, ele continua sem me cumprimentar no trabalho.
Talvez o orkut também seja, pra ele, um mundo de brigas com namorada, sei lá.
Mas por que diabos quis ser meu amigo, então?
Eu heim, e eu que achei que ia poder provar que esse jeito de metida é só pressão…
Depois mulé que é complicada, vô te falá, viu?

SINCERIDADE? – parte II

Mulheres, todos sabem, são seres cheirosos e macios, porém desprovidos de senso de direção e de espaço. Sem contar, é claro, com a falta de habilidade inata com veículos automotores, o que é um outro assunto.
Eu, por exemplo, estou sofrendo muito com as aulas de ginástica localizada.
Quando o professor manda eu começar a série de bíceps com o braço direito, eu gasto todo o tempo da aula pensando com que mão eu escrevo, depois processando o fato de eu não ser canhota e só então consigo decodificar a informação ?comece com a direita?.
Como se não bastasse ser descoordenada e estabanada, ainda terei de parir uma criatura do tamanho de uma melancia que insistirá em sair por um buraco no qual cabe, no máximo, uma uva.
Ser mulher não é fácil, não.

SINCERIDADE? – parte I

Eu desejo sinceramente que essa minha mania esquisita de ser desse meu jeito esquisito me leve a algum lugar.
Lugar bom, de preferência.

SÓ PRA CONTROLE

Este blog nunca terá comentários.
Desistam!

NUM É?

Mulé no trânsito é mesmo uma coisa engraçada.
Às vezes me pergunto como foi que passei na prova prática do Detran na quarta tentativa.
Talvez porque naquela época não tivesse que estacionar ao longo do meio-fio.
Ou talvez porque eu seja uma garota de sorte e só.
Sei lá, vai saber…

POST SEM TÍITULO – parte II

Toda-santa-vez que eu fico indignada, brava, triste, entalada e magoada com alguma coisa, eu fico doente.
Chega a ser chato de tão previsível.

Ai, me dá um abraço?

DA SÉRIE: POST SEM TÍTULO

Eu sou uma ilha.
Sempre fui uma ilha.

Sou uma ilha de confusões, questões, dúvidas e vontade de me matar, rodeada de gente e acontecimentos que alimentam as minhas confusões, questões, dúvidas e vontade de me matar.
Lembro de quando fiz apendicectomia. Saí do pós-operatório meio grogue por causa da anestesia e a única coisa na qual conseguia pensar era no tamanho da cicatriz.
A dor mais feladaputa que uma criatura que nunca pariu pode sentir é dor de apêndice supurado. Juro.
A dor tinha sido horrorosa mas enfim, tinham me aberto e agora eu não sentia mais dor. E só pensava na cicatriz.
Passei a mão na barriga e tinha um esparadrapo que ia de um lado ao outro.

Pára tudo.
Eu teria uma cicatriz de um lado ao outro da barriga pro resto da minha existência medíocre?

Comecei a chorar.
Chorei, chorei, chorei, porque ficava pensando no tanto de coisas que uma cicatriz horizontal enorme abaixo do umbigo poderia me impedir (???) de fazer na vida.
E sofri, sofri, sofri.
Sofri a noite todinha, sem pregar o olho.
No outro dia, o médico gatão chegou e tirou o esparadrapão (puxando todos os meus pelinhos) e eu vi que o esparadrapo era de fato enorme, mas a cicatriz mesmo era de três centímetros, bem pequenininha assim, ó, imperceptível.

Porque eu sou uma ilha.
Sempre fui uma ilha.

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