DA SÉRIE: POST SEM TÍTULO

por Kritz

Eu sou uma ilha.
Sempre fui uma ilha.

Sou uma ilha de confusões, questões, dúvidas e vontade de me matar, rodeada de gente e acontecimentos que alimentam as minhas confusões, questões, dúvidas e vontade de me matar.
Lembro de quando fiz apendicectomia. Saí do pós-operatório meio grogue por causa da anestesia e a única coisa na qual conseguia pensar era no tamanho da cicatriz.
A dor mais feladaputa que uma criatura que nunca pariu pode sentir é dor de apêndice supurado. Juro.
A dor tinha sido horrorosa mas enfim, tinham me aberto e agora eu não sentia mais dor. E só pensava na cicatriz.
Passei a mão na barriga e tinha um esparadrapo que ia de um lado ao outro.

Pára tudo.
Eu teria uma cicatriz de um lado ao outro da barriga pro resto da minha existência medíocre?

Comecei a chorar.
Chorei, chorei, chorei, porque ficava pensando no tanto de coisas que uma cicatriz horizontal enorme abaixo do umbigo poderia me impedir (???) de fazer na vida.
E sofri, sofri, sofri.
Sofri a noite todinha, sem pregar o olho.
No outro dia, o médico gatão chegou e tirou o esparadrapão (puxando todos os meus pelinhos) e eu vi que o esparadrapo era de fato enorme, mas a cicatriz mesmo era de três centímetros, bem pequenininha assim, ó, imperceptível.

Porque eu sou uma ilha.
Sempre fui uma ilha.

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