Tá Pensando o Quê?

Mês: setembro, 2005

DA SÉRIE: TEM COISAS QUE SÓ ACONTECEM COMIGO

Quebrei a perna.
Na verdade eu rachei um ossinho salafrário, pulando na cama elástica.
Agora estou aqui, com a perna pra cima, sofrendo as mais diversas humilhações que uma criatura manca pode sofrer na vida (não conseguir coçar o próprio tornozelo é humilhante, acredite!)
Além disso, fico pulando pela casa e ouvindo piadas dos colegas de trabalho, que querem saber qual o motel da cidade tem esses acessórios extras.
Pra acabar de completar, não consigo tomar banho sozinha, não tenho aparelho de DVD e meu pai teve a coragem de comprar waffer da marca Carrefour quando eu pedi pra ele comprar alguma coisa gostosa pra me distrair.
Me ajudem, pelo amor de Deus, a ver o lado bom dessa desgraça estético-ortopédica que acometeu a minha existência!
Sem mais, obrigada.

SAUDADES DA MINHA NAVE MÃE

Eu odeio toda essa minha capacidade de pensar coisas, refletir sobre coisas, imaginar coisas, enxergar coisas que ninguém vê, falar pelos cotovelos sobre coisas que ninguém entende, sentir coisas e não conseguir transformá-las em palavras, nem conseguir disfarçar que sinto coisas, nem conseguir mentir sobre o fato de eu pensar coisas…



Odeio também esse par de antenas extra-terrestres que escondo embaixo do cabelo.

PARTE III

Pensando melhor, não vou ficar triste não.
Fraldas são caras e, acredite, têm um mecanismo tão complexo de fechamento dos compartimentos, que a simples tarefa de empacotar o popô de um reles bebê fazedor de xixi e cocô pode se tornar um verdadeiro teste de QI.
E, como ninguém sabe, eu sou a mulé mais descordenada de todo o Planalto Central.

PARTE II

O que é mais patético disso tudo é que eu sou tão imbecil e idiota e mongol e retardada que, mesmo tomando pílula há 752 anos, vou ser idiotamente capaz de ficar idiotamente triste e deprimida e frustrada quando a menstruação vier.
Me diga se essa vida não é engraçada?

DA SÉRIE: VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR MESMO

Foi assim:
No domingo eu comi e transei. Com meu pai em casa.
Na verdade eu transei com Namorado, meu pai que tava em casa. Namorado também tava em casa, ué, se não não poderia ter transado com ele em casa.
Enfim, você entendeu.
Meu pai, protestante ortodoxo fundamentalista, na segunda-feira, bem com aquela vez de Deus em filme religioso de semana santa, vem me dizer que tinha ouvido meu horóscopo (!!!) no rádio. Algo tipo: “se afaste das coisas do mundo”.

Agora estou eu aqui, na dúvida se o horóscopo se referia ao fato de ser feio transar com Namorado no quarto de casa enquanto super-pai está na sala assistindo Fantástico ou se tem alguma coisa a ver com a minha suspeita de estar grávida, pela milésima vez no ano.
Sei lá, vai saber, minha mãe sempre dizia que Deus castigava quem transa…

UMA PASSAGEM PRA DIZER ‘OI’

A Unb está em greve.
Isso, é claro, não me causou nenhuma surpresa, considerando o tanto que as leis de Murphy se comprovam e recomprovam na minha existência medíocre.
Depois de tudo que aconteceu pra que eu conseguisse não tomar um pé na bunda da Universidade Federal nota A do Brasil, agora a greve, pra empatar a minha formatura.
Admito que isso não é de todo ruim, já que não tenho dinheiro pra pagar o cerimonial da colação de grau, mesmo…
Ai, ai…

ME PERMITAM ESSE MOMENTO

Escrever, escrever, escrever. Meu Deus, não é normal, esse meu vício.
Tem gente que quando precisa pensar e relaxar, fuma um beque e ouve bob marley, vai correr ou ler um livro. Ou ver TV. Arrumar as gavetas, fazer compras.
Mas eu não.
Na verdade as palavras começam a brotar na minha cabeça como aquelas espinhas que brotam da cara dos garotos adolescentes que batem punheta quando os hormônios estão a mil.
Me sinto como um garoto movido a hormônios e vou tendo idéias, idéias, idéias e se eu não escrever me dá agonia, me desconcentro, não consigo fazer nada enquanto eu não gozar escrever.
Ninguém me agüenta.
EU não me agüento.

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