DIÁRIO DE UMA ALEIJADA

por Kritz

Como se não bastasse essa minha aparência de paquita com bota cano longo, me deu febre no fim de semana. Febre, bem no dia do aniversário do Namorado. Eu, com cara de abacate apodrecido, sem poder tomar uma cervejinha (a não ser que quisesse ver meu pé inchar explodir em flor) nem fazer um reles xixi básico (já que acesso a banheiro de qualquer boteco na capital federal nos obriga a subir – ou descer – escadas, o que humilha não só os bebuns descordenados, como também as moças decentes de saia rodada temporariamente aleijadas).
Andar de muletas, acredite, não é tão divertido quanto parece. Arde o sovaco, fica pinicando, um horror.
Tava achando que ia engordar, mas como fiquei doente, nada de apetite. Isso até ontem, porque hoje eu seria capaz de comer reboco de parede (tem um aspecto suculento reboco de parede, sempre achei), mas minhas pernas estão afinando rapidamente e eu me sinto uma garça.
Se eu, dotada de toda essa minha habilidade e coordenação motora que me são peculiares, não tomar um tombo dessa bagaça de muleta e nem quebrar a outra perna, estarei pronta pra outra em breve.
Até lá, todo mundo torcendo pra Sessão da Tarde ser sempre legal e a greve da faculdade não acabar.
E tenho dito.

Anúncios