Tá Pensando o Quê?

Mês: novembro, 2005

A PARTIR DE HOJE MEUS POSTS NÃO TERÃO TÍTULO

Namorado voltou mas já vai viajar de novo.
Será que tô mantendo um namoro à distância (sem chifres, espero) e ninguém me comunicou?
Será que vou ter que me acostumar com fins-de-semana solteira na buraqueira?
Eu não queria, vocês são testemunhas, mas ficar em casa sábado à noite sem TV a cabo ninguém merece.
Nem mesmo eu, uma mulher resignada (cof, cof) e de pé quebrado.
Ah, meu pé, pois é, continua quebrado. Tipo: acho que continua, sei lá. Meu sonho é ficar rica e poder tirar uma radiografia por dia, pra acompanhar a evolução do quadro e morrer de câncer nos ossos. Não é câncer que o raio x dá?
Volto no médico na semana que vem, só pra ter o prazer de dizer pra ele: ok, 70 dias engessada já deu, né camarada? Vamos pular pra parte da fisioterapia que eu preciso voltar a malhar e correr no parque pra estar, digamos, gostosa não, que não dá tempo, mas pelo menos palatável, no verão 2006.
A greve da Unb não acabou ainda. Eu não tirei férias no reveillon pra não atrapalhar minhas aulas e vou ver as minhas aulas atrapalharem minhas férias, quando eu conseguir tirá-las.
Ah, o reveillon, um caso a parte. Primeiro eu sonhei com Nova Iorque: neve, o Central Park com aquelas árvores sem nenhuma folhinha sequer e aquele bando de mineiro fazendo guerra de neve, porque cafonice pouca é bobagem, e eu ali no buraco que um dia abrigou o world trade center… Ai, ai…
Depois, resolvi sonhar mais modesto. Morro de São Paulo, a segunda praia cheia de gringo baderneiro, a quinta praia bem calminha pra namorar na canga e saudar o sol, curar a ressaca naquele mar morninho e rodar malabares ao som de qualquer coisa que os nativos toquem no atabaque, porque eu amo a Bahia, aquela terra sem lei onde os seguranças da boate cheiram lança-perfume e fumam maconha com a gente na hora da contagem regressiva…
No final das contas não vou nem pra Caldas Novas. Nem pra Caldas Novas, gente! Não vou ver aqueles goianos de sotaque engraçado estacionarem bem do jeito goiano de estacionar, atrapalhando todo o trânsito, obrigando a gente gritar “feliz ano novo” dentro do carro apertado com a garrafa de vodka vagabunda na mão.
Mas então, eu não sei como continuar esse post porque ele ficaria prolixo e triste, sei lá, confuso assim tipo eu.
Posso dizer que preciso ir ao banheiro e sair de fininho?

Ok, obrigada.

EU SOU MUITO IDIOTA MESMO

Ontem Namorado viajou de novo.
É, eu sei, eu disse que ele estaria proibido de viajar novamente depois de todo o sofrimento da outra vez, mas não tenho poder de autoridade, sou um blefe, sempre disse.
Levei ele no aeroporto, abracei forte e meu olho encheu d’água, eu sou muito ridícula, meu Deus! Jurei me comportar como uma freira na ausência dele (prometemos essas coisas num momento de tristeza) e fui embora triste como se ele tivesse indo pra Rússia, passar os próximos três anos no treinamento pra missão brasileira de viagem extra-terrestre.
Me imaginei lá na sala de comando da Nasa dizendo um hi honey sendo transmitido pra todo o território mundial, beijando a tela na seqüência, enquanto toca no fundo I don’t wanna miss a thing, aquela coisa bem clichê krisciesca que eu amo.

Serão setenta e duas horas sem conseguir respirar, vou bater o recorde de apinéia.

TIPO ASSIM

Eu fui fazer o ENAD.
ENAD, antigo provão, aquele negócio que você faz quando tem muito azar e é sorteado pelo MEC para numa tarde ensolarada de domingo ir pra um colégio abafado, com telha de amianto, fazer uma prova sobre coisas que você deveria ter estudado no primeiro ano de curso mas não estudou, claro que não, porque estava muito ocupada se embriagando lá no postinho da Unb com vinho, cerveja, rodadas de cachaça vagabunda e acho que já chega de queimar meu filme, pra criar coragem pra participar da eleição semestral garota axé – unb.
Se não bastasse o azar inicial, adicione-se o fato de eu estar com o pé quebrado, algo que já está, digamos assim, se incorporando ao meu ser. Existem as loiras, as baixinhas, as cheirosas e as mancas crônicas.
Eu estou na categoria das “mancas crônicas”.
Como não vi nenhum motivo que movesse a minha pessoa a fazer aquela prova, levei uma revista de fofoca e fiquei esperando o tempo mínimo passar.
O primeiro sinal tocou, eu levantei e fui-me embora, sabendo tudo sobre o helicóptero do filho da Angélica e sobre o patrimônio (estimado em vinte milhões de reias) da Ivete Sangalo.



E hoje eu soube que a nota do provão (que no meu caso será zero) vai pro currículo dos estudantes.
Que coisa.

SOBRE MINHA FORMATURA – a romaria

Mesmo a Unb estando em greve a gente foi ensaiar a cerimônia de colação de grau.
O pessoal do Cerimonial já disse que como o semestre não acabou, não vai ter diploma dentro do canudo. Talvez uma oração de fé e esperança pra gente fazer todo dia, ajoelhado virado pro Ministério da Educação, pra que eles negociem com os professores e eu consiga me livrar daquele carma que é a Universidade.
Paguei uma nota pra alugar aquela túnica, uma nota numa roupa nova que ninguém vai ver porque a beca cobre tudo até o pé, e vou pagar uma nota na maquiagem lá no salão chique do Jacques Janini, (maquiagem a prova d’água, claro, porque eu sou manteiga- derretida-ponto-com-br e choro até em comerciais de sabão em pó).
Pra acabar de completar, experimentei TODOS os capelos e nenhum se dignou a caber na minha cabeça. Humpf.
Além disso, já consigo ouvir ao fundo meus amigos lá na platéia gritando “tro-pe-ça! tro-pe-ça!” quando for minha hora de passear por aquele tapete azul estrategicamente colocado pra que eu, manca e estabanada, em cima de um salto alto, me estabaque lindamente.



Ainda bem que não contrataram empresa pra filmar o evento.

ESSAS COISAS MINHAS

Eu viajei no feriado.
Namorado me agüentou por cinco dias seguidos. Dormindo, acordando e torrando no sol. Logo ele, que é um picolé de coalhada.
Deve ter enjoado da minha cara, da minha voz e do cheiro do meu sabonete com proteínas do leite, coitado.
Talvez o normal seria que eu enjoasse também, mas não. Me deu depressão quando cheguei em casa.
Nem tive coragem de desfazer as três malas que eu fiz pra passar cinco dias fora. No fundo meu sonho é poder colocar rodinhas no armário, mas ainda não é possível. Então eu tento levar quatro opções de roupas pra cada dia e uma roupa especial, pro caso de nevar.
Além disso tem a mala especial para o arsenal de cosméticos gosmentos que nunca fazem efeito mesmo, porque Namorado nunca espera toda a gororoba secar pra me abraçar e beijar e morder e blablabla, mimimimi e depois fica arrotando hidratante de malva com aveia e germe de trigo e óleo de amêndoa e retinol e vitamina C.
Mas esse é outro assunto.

A VIDA COMO ELA É

Hoje eu fui no dermatologista.
Ele me passou um anti-sinais que custa R$ 109,00.

Ou ta demorando muito pra eu ficar rica ou eu tô envelhecendo cedo demais.

E ESTE SERÁ NOSSO SEGREDINHO

Como ninguém sabe, Namorado pegou todas as economias que tinha e comprou avestruzes, um negócio arriscado. Disse que depois de ter em mãos os lucros e etc e tal, poderíamos casar, fazer um puxadinho em qualquer lugar e eu teria aquele forro xadrezinho pra cobrir o bojão de gás.
Como ninguém sabe, a lojinha-vendedora-de-emas faliu. Quebrou. Caiu. Lascou.

Tenho que admitir que nunca vi ninguém ser tão convincente numa desculpa pra fugir do casamento.

HAHAHA

Namorado quebrou minha cama.
De novo.

MEU PÉ QUEBRADO II, a missão

Namorado chegou.
Eu apertei muito, beijei muito abracei muito e blábláblá mimimimi, e deixei ele absolutamente fora da área de cobertura por umas setenta e duas horas, sem atender celular ou encontrar os amigos, sem nem levantar da cama, coitado. A não ser para banho e necessidades físicas. Líquidas. Porque as sólidas demoram demais.
E ele, pra se vingar, trouxe tesoura de jardineiro e um alicate de cortar fios elétricos pra tentar arrancar meu gesso.
À força, contra a minha vontade, sem que eu quisesse, se é que você me entende.
Ele quase furou o meu mocotó desse osso aqui da canela, umas 752 vezes, com a minha tesourinha de cortar unha, já que todo aquele aparato que serviria pra aparar a grama de um estádio de futebol inteiro, pasmem!, não cortava atadura molhada.
Mas a pior parte não foi essa.
Nem foi ver que a minha perna tava mais cebeluda que a do meu pai e mais fina do que… a do meu pai.
Nem foi ouvir um esporro do médico porque tirei o gesso antes da hora.
Nem ver que eu tinha escolhido a pior hora pra ir no médico, já que a Ana Maria Braga tava ensinando a fazer pão de mel e eu não tinha uma canetinha pra anotar a receita.
A pior parte foi olhar pra radiografia e ver lá, direitinho, o meu maléolo rachadinho, exatamente no mesmo lugar de antes, depois de quarenta (tá bom, trinta e sete!) dias carregando um pé engessado pra lá e pra cá.
Meu mundo caiu (e eu tomei bastante cuidado pra que ele não caísse bem em cima do meu tornozelo) e eu me senti tão sozinha quanto o Chaves naquele episódio em que todo mundo da vila vai pra Acapulco, deixando o coitado chutando lata lá no pátio, do lado do barril.
Mandei o médico tomar no cu Disse “te vejo em trinta dias” pro seu dotô e fui embora.
Enquanto esperava o elevador, chorando em bicas, a recepcionista perguntou quem tinha morrido se eu tava me sentindo bem. Eu disse que estava muito chateada e chuif, chuif, buá, buá, buá e essas coisas que só as mulheres entendem. Ela me trouxe meio litro de água com açúcar e disse que eu deveria tomar até parar de chorar.
Parei.
Não que eu não estivesse mais triste. Mas é que água com açúcar embrulha o estômago e eu já tava me sentindo um confeito. Se não parasse de chorar ia acabar vomitando bem aqui, ó, no meu pé inchado.
Juro.

DA SÉRIE: TEM COISAS QUE SÓ ACONTECEM COMIGO

Depois de quarenta dias, coloquei o tornozelo rachado pra pisar na embreagem e fui pro salão.
Cheguei mancando, claro.
Na sala de espera tinha um garotinho de, no máximo, cinco anos, com aquela cara de “sou a encarnação do capeta”, olhando fixadamente pro meu pé dentro de uma bota ortopédica que parece a armadura do robocop.
Olhou, olhou, examinou.

– Oi.
– Oi, encarnação do capeta, qual seu nome? (ele me deixou no vácuo, claro, crianças deixam a gente no vácuo.)
– Fez dodói?
– Foi.
– Ta vendo? Avisei que ia cair, não me obedece!
– ?

Nem se fosse meu filho teria uma resposta tão boa na ponta da língua.

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