TIPO ASSIM

por Kritz

Eu fui fazer o ENAD.
ENAD, antigo provão, aquele negócio que você faz quando tem muito azar e é sorteado pelo MEC para numa tarde ensolarada de domingo ir pra um colégio abafado, com telha de amianto, fazer uma prova sobre coisas que você deveria ter estudado no primeiro ano de curso mas não estudou, claro que não, porque estava muito ocupada se embriagando lá no postinho da Unb com vinho, cerveja, rodadas de cachaça vagabunda e acho que já chega de queimar meu filme, pra criar coragem pra participar da eleição semestral garota axé – unb.
Se não bastasse o azar inicial, adicione-se o fato de eu estar com o pé quebrado, algo que já está, digamos assim, se incorporando ao meu ser. Existem as loiras, as baixinhas, as cheirosas e as mancas crônicas.
Eu estou na categoria das “mancas crônicas”.
Como não vi nenhum motivo que movesse a minha pessoa a fazer aquela prova, levei uma revista de fofoca e fiquei esperando o tempo mínimo passar.
O primeiro sinal tocou, eu levantei e fui-me embora, sabendo tudo sobre o helicóptero do filho da Angélica e sobre o patrimônio (estimado em vinte milhões de reias) da Ivete Sangalo.



E hoje eu soube que a nota do provão (que no meu caso será zero) vai pro currículo dos estudantes.
Que coisa.

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