SOU CHIQUE

por Kritz

Na quarta-feira eu viajei de avião.
Tá bom, não foi pra Disney, não foi de primeira classe, não provei comida de avião.
Eu fui pra Goiânia, de GOL, vinte minutos de viagem, a aeromoça não era simpática como a da propaganda da VARIG e ninguém me ofereceu mentex pra tirar o zumbido do ouvido.
Mas foi legal.
Tinha um neném cabeçudo lá na última poltrona (único lugar que tinha janela vaga) que só sossegou quando veio pro meu colo ver as nuvens, as casinhas e neblina de poluição pairando sobre a cidade.
Foi tudo muito fofinho e bonitinho até o instante em que ele gofou na minha blusa preta, escolhida a dedo para uma reunião com o chefe de Goiás. Tirando o cheiro de queijo coalho e o fato de que a cadeira ficou toda azeda de leite materno ruminado, todos sobrevivemos.
Meu chefe fingiu ser deficiente físico para que furássemos a fila do desembarque, o que acelerou bastante o processo e, durante o vôo (de volta, porque no de ida eu estava muito ocupada servindo de babador pro Samuel) eu fiquei torcendo pra que algo de esquisito acontecesse, só pra ter o prazer de ver as máscaras caírem sobre nossas cabeças. Ou pra ver se aquelas poltronas eram mesmo flutuantes.
Mas nada aconteceu.
Nenhuma turbulência.
Nenhuma pane de turbina.
Nenhum seqüestrador a bordo.
Ninguém teve um ataque clautrofóbico.
Até o Samuel, que voltou com a gente no mesmo vôo, estava de estômago vazio dessa vez.

=(

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