KRITZ, A HIPOPÓTAMA INSONE

por Kritz

Não sei.
Sinceramente eu não sei de onde brotou essa minha mania de rico de ter insônia.
O grande problema da insônia, quem sofre desse mal há de concordar, é que ela faz você (no caso, eu) pensar na vida.
Pois bem.
Me pus a pensar na vida, então.
Fiquei pensando que no dia do meu aniversário eu terei aula com aquela professora de Ciência Política que escreve “possamos” com ç.
Ontem, no nosso primeiro encontro depois da greve, eu tive um ataque de riso quando ela disse que tinha corrigido nossas provas, que a gente tava com uma redação horrível e deveria ler mais.
Se eu, essa que vos escreve, uma reles formanda precisa ler mais, ela que é mestranda (e escreve “possamos” com ç, vale lembrar) deveria se matar muito.
Não bastasse aula no dia do meu aniversário, teremos aula na quinta-feira seguinte à quarta-feira (dããã) de cinzas.
Lenvantei a plaquinha “Eu já sabia!”, porque ela é uma vaca e não poderia ser legal ao ponto de emendar a semana do carnaval, fazendo a sua turma de alunos vagais feliz.
Foda-se.
Vou pra praia mesmo assim. E ponto final.
Depois fiquei pensando sobre o que o outro professor tinha dito: não devíamos ficar abatidos, nem desmotivados, nem bravos, nem indignados, nem com vontade de matar os professores que fizeram greve porque, enfim, a gente estuda na Universidade nota A e somos a elite intelectual do país.
Depois disso tive um insight e finalmente entendi porque o Brasil não vai pra frente: se EU sou elite de alguma coisa, meu filho, tâmo todo mundo no sal.

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