LÁ SE FOI 2005

por Kritz

Esse negócio de ano novo perto do aniversário é algo que contribui para o inferno astral das pessoas.
Sério.
Pensar na vida, marcas do que se foi, sonhos que vamos ter, todo dia nasce novo em cada amanhecer, carpe diem, ficar rica, ter filho, ir alfabetizar aborígenes da Austrália, emagrecer, formar, estudar História, estudar Psicologia, estudar Ciência Política, virar executiva, aprender ponto cruz, comprar uma casa, trocar de carro, ficar amiga da sogra, tudo isso é muito complexo pra mim.
Verificando o meu saldão 2005, vejamos:

Janeiro: Tive o pior ano novo da história social da minha existência. Devia quase 100h de trabalho pra empresa que paga meu salário e a Unb ameaçava me plantar o pé na bunda, assim, depois de todos os nossos anos de relacionamento. Arrumei um amante.

Fevereiro: completei 24 anos. Gastei minhas férias de carnaval aqui em Brasília, sendo babá de baterista, pra no final tomar um pé na bunda do Pseudo e ficar meio chateada assim, por uns, vejamos, três minutos. Depois fiquei feliz porque poderia voltar pra guerra e putaria. Choveram currículos na minha horta. Prometi voltar pra academia.

Março: Quase enlouqueci pra fazer a bagaça da monografia. Me matriculei numa matéria chamada Introdução à Filosofia, o que, claro, não poderia ter um bom final. Perdi a virgindade de novo, se é que você me entende. Pseudo no meu pé, marcação cerrada homem-a-homem, mas eu preferia a morte do que ter aquele doente por perto de novo. Sim, eu cuspo no prato que comi. Continuei prometendo voltar pra academia.

Abril: No final de abril comecei a freqüentar realmente as aulas, pra não ser reprovada por falta. Nada de conseguir pagar as 100h no trabalho (quando meu chefe morrer, vai pro céu de tripa e tudo.) Nada de academia.

Maio: Arrumei um Namorado que tentou me obrigar a voltar pra academia. E fracassou.

Junho: Reprovei em Introdução a Filosofia, claro. Deletei um trabalho da faculdade faltando 40min pra entregá-lo. Sim, sou imbecil.
Consegui não ser expulsa da faculdade. Parei de pagar academia.

Julho: Férias. Usei o adiantamento pra pagar dívidas e renovar a matrícula na academia. Usei o tempo pra ir implorar vagas nas matérias que precisava cursar pra me formar.

Agosto: Fui pra academia umas duas vezes. Começou o último semestre da faculdade. Não fui pra Micarê.

Setembro: Fui pra academia mais duas vezes. Quebrei o pé pulando numa cama elástica e ganhei varizes novas de tanto pular num pé só. Ah, sim, tive que parar de ir pra academia. Fiquei doente bem no dia do aniversário do Namorado. Unb entrou em greve.

Outubro: Ganhei um vidro de Nutella que se quebrou na porta do meu armário. Meu pé continuou quebrado e eu assisti todos os filmes que ficaram em cartaz nos últimos 25 anos. Conheci a super-sogra. Nada de academia. Unb em greve.

Novembro: comecei a pensar na idéia de comprar uma cadeira de rodas já que meu pé não sarava nunca. Comecei a pensar na idéia de comprar um diploma já que a Unb não voltava nunca. Comecei a pensar em fazer uma lipoaspiração já não voltava pra academia nunca.

Dezembro: mesmo com meu diploma de médico ortopedista vencido, me dei alta e fui passear no shopping. Voltei pro trabalho. Voltei pra academia. Tive um reveillon (in)decente. Jurei nunca mais tomar tequila amanhã. Parei de beber cerveja.

Aí as aulas da Unb começaram, porque vocês sabem, Murphy me ama e tinha que fazer eu ter aula justamente no verão, sol, agitos, forrós, tesão, sedução, libido no ar.
E que venha 2006.
É nóis.

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