Tá Pensando o Quê?

Mês: fevereiro, 2006

A CENA MAIS SURREAL DO ANO

Lembra da insônia?
Então.
Agora ela vem acompanhada por uma frase em persa que me persegue dia e noite, noite e dia e vice-versa.
Tudo começou quando meu professor iraniano que só fala inglês e dá aula sobre literatura do Brasil disse que alguém bam-bam-bam da parte vestida de burca do mundo viria até a Unb.
Precisava de algum aluno aplicado e nerd que topasse dar as boas-vindas pro tal camarada.
Claro que eu não me candidatei porque não sou nem aplicada nem nerd, e descogitei a idéia de vez quando ele disse que a saudação seria em persa.
Mas quando ele ofereceu um ponto na média final pra essa que vos escreve, que vive mendigando notas e está se formando (nem eu agüento mais dizer que tô me formando) desde que ela decorasse uma saudação cheia de palavras esquisitas, eu tive que deixar meu lado corrupto e interesseiro falar mais alto: topei pagar o mico.
Foi demais.
Todo mundo me tratou como chefe de estado e bateu palma pra mim o tempo todo.
Bem no dia caiu um toró que inundou o prédio da Reitoria e eu tive que rir da cara de “isso nunca aconteceu antes” com a que o reitor da Unb olhava pra autoridade oriental, enquanto o tradutor pedia desculpas de um jeito que mais parecia um espirro.
Um povo pró-Israel levantou uma plaquinha “Israel forever young” e ficou aquele clima de “chamem os seguranças, chamem os seguranças”.
Confesso que fiquei com medo de ataque terrorista: aquele povo do nariz grande e barba por fazer, aquelas mulheres chiques de lenço na cabeça e broches de brilhante me fizeram sentir no avião que derrubou o WTC, mas não rolou nenhum boom.
Proferi a tal frase num microfone e quando acabei todos os iranianos presentes riram, o que seria normal se eu tivesse feito uma piada. Mas como eu não fiz piada nenhuma já que sequer sabia o que estava falando, comecei a rezar quando meu professor chegou com cara de poucos amigos perto de mim, berrando e dizendo que em vez de “amigos iranianos” eu tinha dito “vadios iranianos”.
Em persa, claro, porque eu sou chique.

E lá se foi o meu ponto na média final.
=(

E AINDA FALTAM 5 ANOS PRA EU SER BALZAQUIANA

Eu não sei, mas acho que estou vivendo a crise dos 25 anos.
Se não existia a crise dos 25 anos, agora existe, eu acabei de inventar.
Daqui um mês acabo o curso superior e um dia desses me peguei encarando o espelho e pensando: e agora, José?
Eu, com 25 anos tinha planejado ser rica, falar 7 línguas fluentemente, ser representante da ONU, morar sozinha, mudar o mundo, erradicar a fome e dar uma palmada em todo motorista que furasse o sinal vermelho.
Na vida real, tenho um carro zero que certamente vai furar o sinal vermelho muitas vezes e vou morar no quintal do meu pai no fim do ano.
Acho que tô frustrada, mas ninguém me entende, o que faz eu ter certeza de que sou extra-terrestre e desistir dessa grande conversa de viadinho.
O que importa é que no fim de semana carnavalesco eu estarei numa cidade praiana carnavalesca bebendo bebidas alcoolicamente carnavalescas e agindo de forma carnavalescamente contraventora. Pelo menos assim espero.
Quero sol na moleira e nariz descascado, muito caladril, muito engov, muito sexo na areia da praia deserta (ou não tão deserta assim) muito bicho geográfico, muita marquinha aparencendo na blusinha tomara-que-caia, muito funk-baixaria e que a minha menstruação fora de hora entenda que eu comprei um biquini branco novinho que não combina com a cordinha do O.B.
No domingo entrei na internet pra saber como estaria o tempo na praia: chuva. Na verdade 90% de possibilidade de chuva o que, qualquer tatu sabe, significa que vai chover com certeza. E pacarai.
Nesses momentos me arrependo de não ter feito a bagaça da escova progressiva, quem manda ser pobre?
Mas isso não tem a menor importância, perto do risco de ser presa depois de tacar uma pedra no carro do fdp babaca que bateu na dianteira do meu carro e tentou fugir.
Mas essa é uma longa história que eu não tô com a menor vontade de contar agora.
Então tchau.

TUDO AO MESMO TEMPO AGORA

No dia do meu aniversário um cara na rua disse que eu era idêntica a Mariana do BBB e eu fiquei me achando, foi lindo.
Ganhei presentes e flores e fiquei bêbada.
Tá, só as flores e os presentes são novidade, eu sei, abafa o caso.
Emagreci 4 quilos desde que tirei a bagaça do gesso, porque anfetamina é vida.
De vez em quando eu sinto vontade de me matar, literalmente, e me lembro da cara do médico dizendo você se sentirá num estado depressivo leve nos primeiros dias, nada sério.
Me lembrem de escrever isso na carta de despedida, no dia que o anti-depressivo fizer efeito o suficiente pra me encorajar a pular de alguma torre.
Hoje é a minha colação de grau e o que deveria ser motivo de comemoração não é o de fato já que a Unb me ama e vai fazer eu ir pra lá todo santo dia até o fim de março, o que inclui as segundas-feiras, 8 da madrugada.
Mas como eu tenho amigos baderneiros, daqueles pagodeiros que tomam cachaça no boteco e cantam Rick e Renner, coisa linda de se ver, vamos todos pra uma churrascaria beira de estrada comer e beber tudo a cinconto.
Porque a vida é alegria.
Comprei um carro novinho e a minha bunda será a primeira a sentar naquele banco lindo de automóvel total flex que só sentirá o cheiro de álcool, porque a gasolina tá cara o suficiente pra me fazer ficar com vontade de ir morar na Venezuela, onde o combustível custa vinte-centavos-de-real, se é que você me entende.
Ficarei o resto do ano contando as moedas pra não ter meu carro tomado pela concessionária, essas emoções que só quem é pobre com gosto sabe o que é.
No carnaval vou pra praia, e numa casa que caberiam 10 pessoas confortavelmente vão ser entulhadas quase 20, de que forma só Deus sabe.
As negociações para que Namorado não queira sexo ao meio dia no meio da sala onde estarão acampadas mais 752 pessoas começaram desde já, o clima tá tenso.
Na academia penso nas minhas banhas laterais saltando do biquíni naquela praia cheia de surfista gatinho e choro, choro, choro enquanto sofro pra deixar a bunda dura, malhando glúteo naquela posição humilhante amplamente conhecida por todos.
Academia é um troço muito humilhante, lamentável, eu sempre disse.
Pra acabar de completar, tem dois meses que não tomo cerveja e a crise de abstinência às vezes bate forte. Somado ao efeito estressador da anfetamina, tem dias que me sinto um trator, tamanha a minha ignorância no trato com as pessoas, uma beleza.
Como não bastasse todo meu momento “bom dia é o caralho, o que ele tem de bom?”, agora tenho um chefe novo no trabalho.
Num primeiro momento achei que íamos brigar, que eu ia ser demitida, entrar na justiça, ir pro programa do Ratinho e assassiná-lo no final, essas coisas. Agora só acho que vamos brigar qualquer dia e que eu não sossegarei enquanto não mandá-lo tomar no cu.
Porque eu sou uma lady e tenho compaixão pelas pessoas, é o que eu sempre digo.
Peço gentilmente que cada um de vocês, leitores amigos, torçam pra eu não tropeçar no tapete vermelho hoje, nem escorregar e cair de joelhos no tapete vermelho hoje, nem deixar o capelo cair no tapete vermelho hoje, nem pisar na barra da toga e me estatelar no tapete vermelho hoje.
Amém!

A QUEM INTERESSAR POSSA

Sim, pessoas, eu sobrevivi à bebedeira do fim-de-semana do meu aniversário.
Embora tenha a nítida sensação de que meu fígado grita, a todo instante “te odeio, te odeio, te odeio”, tenho visões desconexas na cabeça: lembro de um copo de caipirinha que me segurou a noite inteira.
E da vela em forma de “15” dentro de uma tigela cheia de balinha rosa.
Músicas do Chaves ao fundo.
Balões e costelas de porco assadas.
Amigas minhas estourando balões nos peitos.
E depois tocou trance e eu escarrei na mão dos meus amigos.



Acho que foi isso.
Ou então eu preciso parar de usar drogas sintéticas alucinógenas.
Urgente.

AOS PUTÕES E PERIGUETES DO MEU CORAÇÃO

Diz a lenda que a minha mãe teve contrações logo após ter levado um tombo no banheiro lá de casa: caiu com a barriga pra baixo e quebrou a perna. Me pariu com a perna engessada.
Todos esses meus problemas cognitivos, amplamente conhecidos por todos, tem uma razão de ser, c.q.d.
E lá se vão 25 anos.
Não que eu ache que vai adiantar dizer isso, mas não gosto de “parabéns pra você”. Acho humilhante e constrangedor.
Justamente por isso sei que meus amigos vão cantar em todos os idiomas possíveis, repetidas vezes, porque eles nunca perderiam a chance de me humilhar e constranger, ainda mais com tantos conhecidos reunidos.
Mesmo assim, estão convidados para comparecer na casa da Jeanne, que muito gentilmente disse que receberia meus amigos na casa dela, desde que, claro, eles conseguissem fingir, pelo menos nos trinta minutos iniciais, que são pessoas normais que gozam de boa saúde mental.
Estarei lá a partir das vinte horas de amanhã, 02/02, quando se completarão 25 anos em que o médico me puxou, a fórcepis, de dentro da barriga da minha mãe.
Me mandem email pra pegar endereço.
Imprescindível comparecer no local com caixa de cerveja (quem levar Kaiser vai beber Kaiser a noite inteira!) ou algo equivalente, de preferência com alto teor alcoólico.
Além disso, conto com a minha coca-cola para o momento crítico em que eu demonstrarei, pra todo mundo, a falha grave que tive na fase fálica e farei a boca da garrafa de microfone, pra cantar coisas de baixo calão, tipo “vai serginho, vai serginho”.
Precisarei de glicose. Acredite, eu REALMENTE precisarei de glicose.

Compareçam ou morram!


NOTA PESSOAL DA AUTORA
Pai, se você estiver lendo isso não me pergunte o que é fase fálica.
Muito menos o que significa falha na fase fálica.
Você está convidado, claro, mas só por educação. Terá de ir embora antes de os go go boys saírem do bolo de glacê lilás encomendado pelas minhas amigas taradas, em minha homenagem.

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