XEU TE CONTAR UM BABADO

por Kritz

No dia em que se completavam 390 dias absolutamente felizes e irretocáveis de convivência com Namorado, primeiro namorado me ligou.

ABRE PARÊNTESE
Como nignuém sabe, temos uma convivência harmônica e pacífica, onde ele deseja que eu seja tragada pela areia movediça do capitalismo, já que condena pessoas que juntam dinheiro pra fazer viagens ao exterior, gente que tem celular e defende a sociedade alternativa onde ninguém toma banho e as mulheres não depilam o suvaco.
Enquanto isso, eu torço pra que a canabis sativa não afete (ainda mais) a vida, a capacidade cognitiva e os pulmões dele.
FECHA PARÊNTESE

Conversamos aquela conversa de “olá como vai” e outras coisas dessas que as pessoas conversam por horas quando não tem absolutamente nenhum assunto específico a tratar.
Ele disse que vinha pensando em mim, repensando muitas coisas da vida dele.
(Como assim?)
Inclusive muitas coisas que tinha feito errado e que hoje, um pouco mais velho, conseguia reconhecer. Que hoje, sim, enxergava que tinha feito muitas coisas erradas e muitas escolhas indevidas e que isso incluía não ter me reconhecido como quem eu realmente era.
(Como assim? – parte II)

Eu?
Eu ri.
Eu GARGALHEI, pra falar a verdade.
Disse a ele que o máximo que eu poderia fazer era mandar o convite pra festa do meu casório, onde ele poderia afogar as mágoas numa cervejada boa e me ver radiante, feliz, apaixonada, bem-amada-com-a-pele-linda, cheia de fadinhas em volta.

E se ele aparecer (o que eu não duvido!) eu conto o desfecho.

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