SOBRE NOSSAS ESCOLHAS*

por Kritz

Eu tenho uma teoria.
Eu tenho várias, mas esta em especial eu particularmente considero das melhores: quando um relacionamento do qual eu participo (considere aqui qualquer tipo de relacionamento, ok?) não dá certo, não tem outra interpretação, a culpa é sempre minha.
Não interessa se foi o outro que me decepcionou. A culpa não é dele, a culpa é minha.
Porque eu escolhi mal. A teoria é basicamente esta: se eu escolho mal, eu tenho que me fuder necessariamente.
Se eu descubro que uma amiga minha não é tão amiga assim, seja por qualquer motivo, a culpa não é dela, a culpa é minha.
É minha porque eu não escolhi bem essa amiga.
Assim também é com o relacionamento amoroso.
Não deu certo porque neguinho te trocou pela vizinha?
A culpa não é dele, nem da vizinha, a culpa é sua.
A pessoa que te trocou não é algoz, nem vítima, ela não é nada, ela é meio botão.
A pessoa que te decepcionou só esteve na sua vida porque você quis. Era obrigação sua ter escolhido bem.
E aí você me pergunta indignado: “Mas como é que eu ia saber que estava fazendo uma má escolha?”
Como? Ah vá, não me irrite, você sempre sabe.
No fundo, se você tomasse mais cuidado na hora em que estava escolhendo, você perceberia que aquela não era a melhor escolha.
É uma coisa que quase todo mundo tem, embora pouca gente dê a devida importância: INTUIÇÃO.
Aquela sensação que você tem quando tá lá, no impulso, de que vai dar merda, sabe? Pois é.
É aqui que você descobre se uma relação é boa ou não. Intuição é a chave da felicidade. E não é preciso muita coisa pra ter essa percepção.
Uma palavra que fulano diz que te desagrada, uma atitude que não condiz com os teus princípios, com aquilo que você acredita…
É nessa hora que você tem a intuição de que tem algo errado naquela pessoa.
Aqui você descobre que não deve colocá-la no seu rol de vips.
Aqui você sabe que ela é uma má escolha.
É a hora de romper.
Mas se você saca que deve romper, e ainda assim insiste naquilo por pura teimosia, desculpe, você tem que se fuder.
Não tem choro, não tem conversa, a teoria é simples e clara.
Eu sempre soube, de todas as pessoas que passaram na minha vida, quais foram as boas escolhas, quais foram as más.
Algumas más escolhas eu mantive ao meu lado por pura teimosia, sabendo que aquilo não iria dobrar a esquina.
O que aconteceu? Pois é.
E eu tive que assumir o risco. Não pude chorar, não pude culpar o mané, nada. Porque a culpa não foi dele, a culpa foi minha.
Eu, quando tive a intuição, quando tive a certeza de uma escolha má e a obrigação de romper com ela, preferi apostar num fruto podre.
E o resultado de nossas escolhas é geralmente implacável, não nos perdoa nunca.
É isso.

*Texto retirado daqui.

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