Tá Pensando o Quê?

Mês: dezembro, 2006

2006

O Ano em que Eu Não Quebrei o Pé
Só por isso o ano já valeu a pena, Brasil. Foi convulsiva a tensão que tomou conta do meu ser quando foi chegando perto do aniversario do meu pé quebrado. Eu fiquei esperando os anões-empurradores-de-pessoas-desengonçadas-que-resolvem-pular-na-cama-elástica virem me empurrar quando eu subisse ou descesse uma guia, levantasse da cama ou simplesmente respirasse. Eu tenho essa neura com esse lance de datas, uma coisa esquisita, sei lá, tenho um calendário mental super-organizado, anoto meus traumas, não sou normal.
Mas depois que o dia acabou eu fiquei deveras aliviada e decidi que, um ano depois, não tinha mais como usar o fato de ter quebrado o pé como desculpa para o meu, digamos, sobrepeso.
Pra 2007: perder (e nunca mais achar) os 6 quilos que faltam pra eu chegar no meu famigerado-nutritivo-suado-lesionado-crocante peso ideal.

O Ano do Mal do Século
2006 foi também o ano em que meus pais saíram de férias eu saí do orkut.
Saí tarde. Aquilo é mesmo um vício dos infernos que me causa crises de abstinência até hoje: aquele mar de gente falando um do outro e você pescando as fofocas e mensagens subliminares, aquele mar de comunidades nonsense que te fazem rir muito e virar noites, ai, ai…
*saudade*
E aquele bando de gente babaca que torna aquilo coisa do demo.
Eca.
Pra 2007: esquecer definitivamente que orkut existe.

O Ano Sem Festa de Reveillon
2006 foi aquele ano em que nem meus amigos nem amigos de Namorado conseguiram arrumar festinha legal pra passar a virada. Como num universo de 10 machos, 80% está solteiro-convicto-forever, deixamos pra última hora e pimba: hoje é dia 26 e eu não tenho idéia do que vai ser, não tenho idéia do que vestir, não sei nem se estarei viva, meu deus quem eu sou?
Pra 2007: ganhar na mega sena sozinha e bancar o reveillon 2007 em Ibiza pra geral, com muito ecstasy, todo mundo nu e uma micareta só pra mim, com a nata do axé music, que eu mereço.

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PEQUENA NOTA MENTAL II

Eu fico pensando em quão triste pode ser a minha sorte neste final de ano: sim, porque eu sou uma pessoa que, estando de dieta e tendo que resistir bravamente às comilanças e orgias alimentares tão peculiares à época de natal, ainda tenho na pessoa de super-sogra uma mulé reconhecidamente boicotadora de dietas, que leva fios de ovos, bolos e docinhos de casamento pra minha residência, com aquela cara de come só um pouquinho, que não engorda, não.
Como se não bastasse, ainda estou na TPM, aquela época em que sou capaz de vender o fígado pra conseguir chocolate.
O mundo conspira contra mim, sempre disse.

AINDA SOBRE O CASAMENTO

Uma festa de casamento, vocês sabem, tem aquele glamour da trilha sonora da novela Celebridade.
Todo aquele brilho dos rótulos de vinho bom cintilam no meu olho e a alcoólatra que mora em mim grita.
Até ai tudo bem.
O grande problema está no fato de que meu olho cintilou quando eu vi os vinhos, o uísque, as cervejas e o pro-seco.
Ai, o pro-seco, a maldição da minha vida. A essa altura, a alcoólatra que mora em mim já tinha recebido a pomba-gira.
Então eu chamei o garção-carregador-do-pro-seco e disse, sorridente, porque eu sou a miss simpática, fofa mesmo, codelôco

– Como é o seu nome?
– Eudes, senhora.
– Oi Eudes Senhora, eu sou a Kriscia. Esse aqui (aponta veementemente pro Namorado, como só pobres apontam) é o irmão da noiva e meu Namorado, não necessariamente nessa escala de importância, naturalmente. Eu tomo pró-seco.

E ele, como que num insight, entendeu tudo e encheu meu copo de pró-seco naquele momento.
E dali a cada 15 minutos, um espetáculo.

Totalmente gente boa, o Eudes Senhora.

CASAMENTO

Irmã de Namorado casou na sexta-feira.
Só pra contradizer a estatística do CENSO, eu não faço parte dos 95% da população brasileira que acha cerimônias de casamento chatas. Acho lindo tudo aquilo, coisa surreal.
Juro.
O padre, por exemplo, dando conselhos sobre fidelidade, amor incondicional, paciência e educação do filhos.
Logo ele, criatura celibata que não sabe o que significa o vocábulo paciência quando se tem uma esposa na TPM, (ou na menopausa, ou em qualquer uma das outras novecentas mil, quatrocentras e trinta e sete variantes de humor da raça feminina, nas diversas faixas etárias). Ou nunca saberá o que é um marido que chega bêbado em casa toda segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira sexta-feira de madrugada, uma filha grávida drogada, prostituída, namoradeira, matadora de aula que repetiu 3 vezes a 7ª série aos 15 anos, um filho traficante, ladrão, receptador, gótico, alcoólatramaconheiro, contas pra pagar, cachorro com carrapato e vizinhos que usam furadeira nos domingos às 8h da madrugada.
Uma pessoa que nunca teve mulé, família e nunca pagou uma conta sequer e ainda tem coragem de ficar na frente de uma igreja lotada dando conselhos sobre coisas que ele não faz a menor idéia do que sejam na prática não tem a menor mãe, só digo isso.

Ele olhou bem pro noivo e disse

Olhe bem pra ela agora, porque ela não será sempre assim.

[eu em pensamento] Meu Deus do céu de Brasília traço do arquiteto, Batman! Veja você se isso é coisa que se diga pra um noivo no dia do casamento? [/em pensamento]

E isso é porque nem tinha chegado a hora do vinho ainda.
E continuou

Você tem certeza do que está fazendo?

*Silêncio*
*Silêncio*
*Silêncio tão demorado que os músicos contratados começaram a tocar ao fundo a marcha fúnebre, só pra quebrar o gelo *

O padre repetiu a pergunta e Namorado, sentado ao meu lado, gritou

Perdeu, preibói.

O noivo começou a chorar.

– Olha só, Namorado, que coisa linda, ele tá emocionado.
– Na minha terra isso se chama arrependimento.

Sutil como um paquiderme numa loja de cristal.

SUMIU O ULTIMO PÉ DE COBRA

Em 2006, esse ano que já se vai, eu comprei metade de um apartamento, mudei de casa e passei a lavar meias e cuecas (essa tarefa com menção honrosa, por favor. Obrigada.)
Ontem me chamaram pra um forró * olhos brilhando * e eu disse

não, hoje é dia das promoções no Extra e eu tenho que fazer umas compras, lá em casa não tem naaaaaada, além disso não consigo acordar amanhã se eu sair hoje.

Você poderia dizer, caro leitor amigo, e não sem razão, que eu tô ficando velha.
Sim, estou.
Mas sim porque não tenho mais nenhuma amiga virgem.
Sim, é isso mesmo que você ouviu.
Eu, até um dia desses, era um ser de existência rara porque tinha uma amiga virgem.
Eu era assunto nas reuniões sociais, tão me entendendo?
Eu era apontada na rua como a garota que conhece uma virgem, e ganhava uma nota vendendo mechas do cabelo e pedaços de unha dela pra tudo quanto era pai-de-santo, praqueles trabalhos de amarração pro amor.
Quando aparecia um idiota-babaca-geralmente-bêbado dizendo que mulher virgem era que nem pé de cobra (ninguém nunca viu então não existe – piada amarela pior do que aquela do pavê) eu, claro, que não fujo de polêmica, dizia que EU, sim EEEEU, a MINHA PESSOA, tinha uma amiga virgem.
E então todos me olhavam e sorriam e me ovacionavam, jogando pétalas de flores. E a cena ficava em câmera lenta e eu acenava no meu melhor estilo Miss Brasil, enquanto tocava uma musiquinha ao fundo que eu sempre achei bem parecida com o tema da vitória do Ayrton Senna, mas não tenho como comprovar.
E nunca mais poderei tirar a dúvida, porque essa música nunca mais tocará ao fundo de nenhuma situação social minha, porque minha última amiga virgem se foi.
A única coisa que me faz ter certeza de que eu superarei essa dor foi o diálogo com a dita cuja, hoje, pelo googletalk

– Mas comé que foi?
– Foi de boa. Eu me lembrei na hora de você dizendo pra eu sempre escolher os popozudos, porque a bunda funcionava como alça, hahaha

Percebem?
Eu tenho seguidoras!
* emoção*
Me amo, sou foda, adorei.

DIÁRIO SECRETO

Então, Brasil, eu agora tenho diário de novo.
Toda essa minha agonia com esse vício de escrever começou quando eu tinha uns treze anos e escrevi uma carta de adeus, daquelas que as pessoas escrevem antes de se suicidar.
Minha mãe, que é mexeriqueira.com.br achou a bagaça da carta e depois disso ficou vigiando minhas agendas da hellokit e todas as anotações idiotas que eu fazia nelas, como por exemplo os resultados de todos (eu disse TODOS) os jogos do campeonato brasileiro.
E olha que a carta era só um exercício pra aula de redação, que eu nunca fui besta de pensar em me suicidar e vagar forever no umbral das almas penadas. Mas é lógico que ela nunca acreditou e me encaminhou pra SOE do colégio, um lugar onde havia um bando de psicólogo idiota que me fez criar um puta preconceito contra os estudantes e praticantes de qualquer coisa que se pareça com psicologia.
Então eu precisei começar a escrever escondido, pra mexerica sossegar.
Isso até os 17 anos, quando eu tentei me suicidar tomando vitamina de manga sem pensar, por um segundo sequer, no sofrimento que seria vagar no umbral de almas penadas.
Quando isso aconteceu eu entendi que a minha vida tava tão complicada que eu parei de escrever. Se viver tudo aquilo já tava sendo foda, porque diabos eu ia insistir em registrar tanta coisa ruim?
Então eu juntei todos os meus diários e taquei fogo. Sim. Queimei tudo, porque eu adoro esse negócio do ritual da coisa finda, tá ligado? Adoro.
E aproveitei pra podar também aquele pé de manga do quintal, já que eu não conseguiria matar todas as vacas viventes do universo naquela ocasião e não queria correr o risco de tentar me matar de novo.
Pois bem.
Leite com manga não mata ninguém, veja só você.
Meu diário tá lá, tem umas duas semanas de vida e as páginas estão quase todas preenchidas. Mas ontem eu cometi o erro da minha vida: enchi mais umas duas ou três páginas com coisas que vão desde minha cunhada segue me odiando a já perdi 3 quilos com a dieta que copiei da Marie Claire.
Detalhe: Namorado me olhava atento, fingindo, claro, que assistia Páginas da Vida, aquela novela que ele diz odiar mas não perde um capítulo.

Você escreve todo dia?
O que você tá escrevendo aí?
Tem algo que eu não possa ler?

*medo*

Agora ele sabe que eu tenho um diário.
Que não tava escondido mas que, algo me diz, deverá ficar daqui pra frente.
Já pensou?
Eu saio com o povo do trabalho pra um happy hour e depois de umas caipirinhas acordo pra vida e solto

– Preciso ir, gente!

– Ah, não, tá cedo!..

[em pensamento] ? caralhos secretos, preciso ir agora porque meu diário está sozinho em casa com Namorado e não, isso não é seguro [/em pensamento]

– Pois é, mas o tempo tá fechando e eu acho que deixei as janelas de casa abertas. (porque eu sempre fui péssima pra inventar desculpa)

Tão entendendo o drama da coisa?

As mexericas me perseguem, votecontá.

DIETA

Dieta é uma merda!
Eu queria poder cruzar com o filho da puta que inventou a dieta e dizer você arruinou a minha vida e agora eu vou arrancar seus cabelos do dedão do pé um a um, com pinça, seu decrépito.
Acho chique xingar alguém de decrépito.
Natal, Brasil, é Natal, peru e pernil, salpicão e sobremesas com sorvete e chocolate, panetones, chocotones e milhares de calorias que são ingeridas pouco menos de 30 dias antes da época em que a minha alma calanga-brasiliense zarpa pra ver o mar, a areia, os surfistas gatchenhos, bate na cara de Namorado porque ele olha as bundas femininas alheias (e ainda mostra pros amigos, porque eu devo ter trouxa escrito na testa) e o meu rechonchudo corpitcho mostra as dobrinhas e celulites.
Entende o paradoxo?
E é quando eu me pergunto: por que natal não é março? Quando todo mundo já voltou de férias, do carnaval, da baixaria sócio-alcóolica-sexual e tá magrelo porque passou todo o período de agito sem lembrar de comer, só na cachaça?
Por que natal não é em junho, que faz mó friaca e todo mundo se empacota com 752 casacos e cachecóis?
Se eu tô gorda ou magra, no inverno ninguém vai ver mesmo, então eu poderia cair de boca na torta alemã sem ficar com aquela sensação de colchão amarrado que só as gordinhas que usam biquíni de lacinho são capazes de compreender.
É foda, toda época de natal é isso, nem eu agüento mais essa ladainha.

EU SÓ TRABALHO COM GENTE DOIDA

Hoje rolou uma reunião pra deliberar os detalhes da confraternização de fim-de-ano do povo do trabalho. A única reunião do ano que não faltou ninguém, por motivos óbvios.
Sugeri um amigo-oculto com artigos de sex-shop.
Reinou aquele silêncio de 30 segundos, o intervalo no qual eu deveria ter dito brincadei-RÁ.
Mas não deu tempo: antes que eu pudesse abrir a boca, a mulherada encalhada e a perigo, em polvorosa, estava se organizando e marcando data pra ir, em comboio, comprar os presentes.
Juro.

Não perco esse evento de jeito nenhum.

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