VIVER É BÃO, SEBASTIÃO

por Kritz

Pois bem. Agora eu sou uma mulé com 26 anos completos.
A festança foi jóia e eu tomei duas garrafas de pró-seco, porque eu acho muito chique aquela espuminha, aquela taça, aquela coceguinha no nariz.
Classe. Estilo. Pura nobreza.
E tomei também duas doses de pinga.
Sim, pinga. Cachaça. Porque nem só de classe, estilo e nobreza vive o homem.
A verdade é que tô na minha melhor fase, olhando o todo.
Já estive mais magra, mas era uma lascada sem um puto furado no bolso, não tinha carro nem namorado que prestasse. Não tinha maturidade nem firmeza pra nada. Por fora, bela viola. Por dentro…
E quando o emprego veio com aquela enxurrada de dinheiro nunca antes vislumbrada, eu engordei como uma potra manca porque não tinha tempo pra academia, e não conseguia freqüentar a faculdade nem parecer atraente pra nenhum namorado que prestasse.
Mas Deus olhou pra mim e me colocou no eixo: hoje eu tenho um emprego bacana, com chefe e colegas bacanas, trabalho com o que sonhei pra mim, serei muito injusta se reclamar do meu salário, tenho um namorado do pinto grande carinhoso, divertido, inteligente e engraçado, um carro econômico, fiquei noiva com uma aliança de 2 mil reais, tenho uma casa própria que fica pronta ano que vem, me matriculei numa pós-graduação de tema interessante que tá me animando muito, emagreci 7 quilos desde que comecei a fazer acompanhamento nutricional, (Priscila, minha psicóloga nutricional, te amo! Smack!) leio Freud e entendo tudo (tá, quase tudo!) e tô levando muito a sério aquele lance de rever minhas amizades; só quero perto de mim quem quiser me ter perto e fizer por onde merecer.
O resto que se foda e seja tragado por uma nuvem de poeira ácida, que eu nem ligo.

No mais, tô indo pra praia que é só pra isso que candango trabalha: pra ter férias no verão e viajar 2 mil quilômetros com os bródi, pra encher a tanga de areia, pegar bicho geográfico, tomar caixote de onda brava, fumar maconha na beira do mar do amor, usar muito caladril, tomar um porre de vodka por dia e dançar na caçamba da saveiro.
Só volto em março, Brasil.

É verão.
Ié ié.

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