Estados Unidos Mexicanos, eu fui

por Kritz

Não entendo as pessoas que dizem que a lua de mel delas foi ruim.
Não tem como uma lua de mel ser ruim: você finalmente está livre do estresse de acompanhar a organização e os 752 mil detalhes que envolvem uma festa de casamento, você não precisa ficar mais desviando das pessoas que você não vai convidar pra sua festa, você ganhou muitos presentes legais e outros muito bregas, mas todos poderão ser trocados por créditos naquelas lojas cheias de tranqueiras divertidas de cristal que você nunca usará na vida porque, enfim, são de cristal e você não vai correr o risco de quebrar nada que seja de cristal caríssimo!
O melhor de tudo: você vai ficar pelo menos uma semana curtindo mó mordomia com o cara com quem escolheu casar porque ama.
Ou porque ele é rico e vai te encher de presentes.
Ou porque é genitalmente bem dotado.
Ou por tantos outros motivos que fazem as pessoas enxergarem no casamento a salvação pra alguma coisa, não importa qual exatamente.
Pois bem. Cancun não é México, disso todos sabemos, até mesmo quem nunca esteve no México. Cancun é um território internacional onde a língua oficial é o spaninglish, mas se você falar em português (ou italiano, ou francês, ou esperanto, ou twi) todo mundo vai entender. Ou vai fingir que entendeu.
Mas como todas as vezes que eu falei em português era pra pedir bebida e, como quando eles não entendem o que a gente fala, a forma de se desculparem é te servirem uma bebida, a gente não se esforçou muito pra falar espanhol, língua que eu não nunca havia sequer tentado pronunciar em toda a minha existência medíocre.
Mas aí, incauto sofredor, mora o problema de toda mulher: nós, criaturas dotadas de glândulas mamárias e grande capacidade de gastar dinheiro com coisas inúteis, falamos 20 mil palavras por dia. Nós PRE-CI-SA-MOS falar 20 mil palavras por dia, tão fundamental quanto respirar, quem é mulher me entende.
Quem mora com uma sabe do que eu estou falando, porque deve escutar pelo menos metade desse volume básico de palavras, abstrair a metade da metade e ser acusado de insensível, ingrato e ficar sem sexo por pelo menos metade do mês.
Isso é o que dizem as estatísticas, porque eu mesma não vou ficar sem sexo porque Marido não me ouviu, já que os órgãos utilizados pra ouvir são uns, os pra transar são outros. Não gosto de misturar as coisas.
Pode estar ficando surdo tadinho, o que minha vida sexual interessante e de qualidade tem a ver com isso?
E todos nós sabemos que surdos podem ter filhos. E tem gente que ouve aquela freqüência que só os cães ouvem mas são impotentes.
Enfim, divago.
Por conta da necessidade fisiológica da mulher de falar 20 mil palavras, eu precisei colocar em ação um plano ardiloso pra aprender a falar espanhol. De alguma coisa aquele ano inteiro estudando latim ia ter de me servir e, vocês sabem (?), o italiano, o espanhol e o português vieram do latim. É basicamente tudo a mesma coisa.
Ainda mais em Cancun, onde eu passei um dia inteiro falando em português, ninguém entendia nada e, por isso mesmo, me serviram 752 tipos de drinks alcoólicos diferentes.
À noite, eu já estava falando um espanhol perfeito, com sotaque colombiano inclusive.
Inferi que o sotaque era colombiano, é verdade, admito. Como não estava cheirada nem andava na rua fumando baseado, presumo que tenha sido o sotaque o motivo de tanta gente me perguntar se eu era colombiana.
Arrasei, só deu eu.

Continua….

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