Estados Unidos Mexicanos, eu fui – parte II

por Kritz

Em Cozumel (Fernando de Noronha do México, imagino eu) alugamos uma scooter e fomos rodar tudo por lá, mergulhar, ver peixes, ter ataques histéricos ao ver as arraias e rezar pr’aquela história de que há tubarões no mar do Caribe fosse conversa do meu pai.
Era. Ou então os tubarões já tinham devorado algum americano e estavam de barriga cheia.
Depois de muito vento na cara, muito mergulho, muita marguerita, muitas fotos tremidas na garupa da tal scooter, estacionamos pra tomar um mango tango, dar um rolé e gastar alguns pesos mexicanos. Como não compramos nada, já que lá era tudo caroparacaralho, decidimos voltar pro continente.
Pra isso precisaríamos devolver a scooter na rentadora de motos, o que não seria difícil. Seeee a moto não tivesse sumido do local de onde estacionamos, já que tinha sido rebocada pela polícia, por termos estacionado em local proibido.
Não sei, mas acho que as placas de “proibido estacionar scooters”, lá no México, só são vistas pelos inteligentes, que nem a bicicleta daquele episódio do Chaves, manja? Todo mundo fingindo que vê a tal bicicleta pra não admitir que é burro. Eu nunca consegui ver a bicicleta, e os episódios do Chaves se repetem muito, eu poderia ter adquirido algum nível de inteligência durante todo esse tempo que o SBT exibe Chaves, mas parece que não. Continuo uma tábula rasa.

Enquanto isso, parece que o Chaves está envolvido com o tráfico de drogas no México.
Esse é o futuro de crianças que não são amparadas pelo Estado, vejam só vocês! Uma criança morar por 2 décadas num barril e ninguém fazer nada é um absurdo!
Enfim, divago.

A gente pegou um táxi e fomos lá pro cu de Cozumel, onde ficava o quartel da polícia turística, tentar resgatar a scooter, que nem nossa era. E eu tive que lançar mão do meu espanhol-arte, que a essa altura (3ª dia, acho) já estava finíssimo e as pessoas já me perguntavam quanto tempo eu tinha estudado espanhol antes de ir pra Cancun. E lá fui eu negociar com o policial, explicar que não éramos, marido e eu, inteligentes o suficiente pra enxergar as placas de “proibido estacionar scooters, turistas brasileiros burros!”, blábláblá, mimimimi, sbrubles.
Ok.
Depois de umas 2h assistindo um policial delegando pra outro o problemão que os brasileiros burros aqui tinham arrumado, pagamos uma multa de 12 dólares (em dólar mesmo, juro. Lá até o Estado aceita dólar!) e fomos levados na caçamba da viatura lá mais pra mais adentro do cu de Cozumel, onde estava a nossa scooter rentada. A nossa e mais outras 300, pelo menos. Sério.
Devolvemos a moto e fomos tomar uma cerveja, pra comemorar.
Uma multa de 12 dolares merece comemoração.
Já pensou se tivessem roubado a scooter?
Uma scooter custa mais de 12 dolares.
Mesmo no México.
Certeza.

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