Tá Pensando o Quê?

Mês: maio, 2009

sovaco sangrento

Já tem tempo que tô na fase handmake da minha vida: aprendo a fazer sozinha, valorizo o artesanato e, o único argumento que é verdadeiro: economizo dinheiro pra gastar com as coisas que não tenho competência pra fazer por minha conta. E isso inclui depilar a axila.
A cultura de depilar a axila significa cultivar o masoquismo da ação, qualquer humano sabe disso. E por isso eu fiz um lobby familiar pra ganhar um depilador daqueles parecidos com instrumentos para tortura ecúlea da idade média. Funciona joinha e, na boa, não dói. Nem deixa a gente com aquele ouriço-do-mar debaixo do braço, como quando a gente usa gilete. Nem com aquela penugem lagarta-de-fogo de quando precisamos cultivar os pêlos para, depois de 20 dias, poder usar cera.
Da ultima vez empolou tudo e meu sovaco ficou parecendo plástico bolha.
Foi quando eu esfreguei pedra-pome pra desempolar e, advinha?

Sovaco menstruado, desde então.

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cabeça muito louca de verão

Sempre que eu piro o cabeção,  me concentro na fé de que terapia me salvará, é quase que como o Jesus Cristo dos tempos modernos. Dessa vez resolvi ir fundo no negócio, porque o bicho tava grande, incauto sofredor, muito grande.
Me lancei louca e desconfiadamente no mundo da psicanálise. Parece onda de doce, aquilo: todas as paranóias, neuroses, medos, lembranças e barulhos estranhos emergem da gente, naquele silêncio constrangedor que só a psicanálise traz pra você.
Lado bom: a psicanálise não é ilegal e não dá fome depois que termina.
E já me bastar ser meio lelé. Gorducha, não, obrigada.

preguiça-feira

Ah, mas que fim de semana ingrato, eu tive. Uma puta gripe descabeladora, uma preguiça dos habitantes do universo e, não bastasse eu ter gasto o sábado e domingo embaixo das cobertas tomando sopas inodoras, tentando dormir, respirando pela boca e sofrendo com dor de cabeça de tanto chupar o nariz, a bagaça da febre não durou até segunda-feira, e tive que ir trabalhar.
Trabalhar tá uma dureza, meu Brasil.
Uma dureza.

que medo

Hoje é sexta-feira e, vocês sabem, sexta-feira é o dia da massagem com a Rosa, minha massagista figura. Ela mudou de endereço e ainda não conseguiu instalar a tv, então não fiquei sabendo das notícias mundiais de hoje. Mas como ela não consegue não opinar sobre as medíocres vidas de suas clientes, soltou, hoje, algo tipo ‘não inventa esse negócio de ter bebê, não, minha filha. Esse negócio dá muito trabalho.’

Não consigo imaginar coisa mais gentil para se ouvir, justamente no 5º dia de atraso da minha menstruação.

sobre paredes, dinheiro e micareta

Por aqui tudo bem, meu povo. Depois de uma semana muito da cretina no trabalho, em que eu fiquei pensando que diabo eu quero da vida afinal, eu engoli o choro antes que a vida me desse um motivo de verdade pra chorar. E comecei a pensar em que cores pintar a parede da minha casa nova.
Não que eu mande em tudo e seja mimada e precise de tudo do meu jeito. Lógico que não, eu sou uma moça. A questão é que Marido, um menino, veio com a capacidade de distinguir – tão somente, vâmo combiná – as 16 cores padrão do windows. Pra ele, assim como para meu pai, um dautônico diagnosticado, laranja, mostarda e salmão são a mesma coisa. Pink, fucsia, vermelho são a mesma coisa também. Verde e azul – pasmem! – também, mas isso é assunto pra outro momento.
Então que quando eu digo ‘pensei num tom levemente esverdeado com texturas’ ele faz aquela cara de ‘aplicação do vocábulo na frase, por favor?’ e, como nem todas as cores que eu imagino estão na natureza, assim, a mão, combinamos que eu decido as cores das paredes e armários. E fim.
Enquanto isso ele segue decidindo em que empreitadas baianas nós vamos – ou não – nos meter. O carnaval fora de época de Fortaleza sussurou indecentemente no meu ouvido mas, advinha? Não vamos. Não vamos porque a viagem pra grande maçã insone já está fechada, porque temos um ap pra montar e um financiamento pra pagar e blablabla. Claro que meu ouvido é seletivo e só ouve – e ignora – o ‘não’. Mas como eu não consigo ignorar o sinal negativo na minha conta bancária, tive que me contentar. Enquanto isso me inscrevo nas promoções das emissoras de rádio, porque eu não tenho orgulho.
Vai que eu ganho?

tv a cabo é uma bosta

Depois que a TV a cabo chegou lá em casa, eu nunca mais vi noticiário. Não sei de mais nada que acontece no mundo. Foi o twitter que me avisou da gripe suína. E desde então algo me diz que não vou ser feliz ali. Com a TV a cabo eu consigo alimentar meu mundo irreal: a pessoa mais babaca que eu conheço é o House, a mais tonta é a Phoebe e a mais nerd é a Lisa. E assim caminha a humanidade.
Um dia desses eu tava vendo na TV uma mulher que emagrece noivas à força: propõe uma dieta e vai acompanhando pra ver se não tem nenhuma gordinha querendo burlar as regras.
Acompanhando como?
Você pergunta.
Com amostra do cocô das concorrentes, me passa o sal?

Vocês entenderam? As concorrentes fazem cocô num potinho, que é avaliado na frente delas: cheiro, forma, quantidade.
Estranho, como só médicos e nutricionistas conseguem ser.
Agora, acompanha meu raciocínio: uma das concorrentes, com medo da carrasca, levou pra avaliação o cocô do noivo.
Do noivo, gente.
Ceder o cocô para o exame da noiva. Isso que é amor.

2 ameixas e 1 antidepressivo, please

Desde que eu casei que eu uso o fato de ter casado como um marco na minha vida. Um ponto de referência na linha do tempo, até que algo novamente emocionante aconteça, tipo ficar grávida, enriquecer e comemorar meu aniversário em Ibiza ou ir pra Disney quando estou quase pra completar os segundos 15 anos da minha vida (ainda tô me trabalhando pra pular pros 30 na tranquilidade.)
Acho que depois que casei foi que resolvi deixar a terapia. Porque assim, tipo: já tava tudo bem complexo, diferente e cada minuto era um flash. Ter que passar por tudo isso com o mínimo de jogo de cintura já exigia bastante da minha parca sanidade intelecto-psicomotora. Ter que repetir tudo pra terapeuta ia ser pancadão demais pra minha humilde pessoa. Então eu decidi dar um tempo na terapia e curtir coisas menos legais como voltar pra academia com o mínimo de rotina aceitável, acabar a pós-graduação, cuidar do trabalho, etc e tal.
Obviamente nada disso aconteceu, a não ser o fato de eu ter deixado a terapia de lado. Me sobrou tempo pra dormir e claro, comer, porque comer dá sono e dormir dá fome, já dizia o guru. E neste aspecto, caro leitor amigo, eu entrei pras estatísticas: casei e engordei. A essa altura, você que é muito simpático e educado vai dizer ‘que isso, você tá ótima, engordou nada, nem notei’.
Na verdade não é nada grave, sabe? Pelo menos era o que eu achava até um dia desses, quando separei uma calça assim, mais folgadinha pra ir no mercado, niqui a calça não entrou.
Não entrou, incalto sofredor, não entrou.
Como a terapia me dava uma fome danada, resolvi trocá-la pela boa e velha, carrasca e milagrosa nutricionista: ela me tira o gluten, aperta minhas dobras e sempre diz ‘você não tem a menor tendência à obesidade’.
Mas eu sou assim mesmo: gosto de sofrer e finjo que acredito em mentiras.

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