2 ameixas e 1 antidepressivo, please

por Kritz

Desde que eu casei que eu uso o fato de ter casado como um marco na minha vida. Um ponto de referência na linha do tempo, até que algo novamente emocionante aconteça, tipo ficar grávida, enriquecer e comemorar meu aniversário em Ibiza ou ir pra Disney quando estou quase pra completar os segundos 15 anos da minha vida (ainda tô me trabalhando pra pular pros 30 na tranquilidade.)
Acho que depois que casei foi que resolvi deixar a terapia. Porque assim, tipo: já tava tudo bem complexo, diferente e cada minuto era um flash. Ter que passar por tudo isso com o mínimo de jogo de cintura já exigia bastante da minha parca sanidade intelecto-psicomotora. Ter que repetir tudo pra terapeuta ia ser pancadão demais pra minha humilde pessoa. Então eu decidi dar um tempo na terapia e curtir coisas menos legais como voltar pra academia com o mínimo de rotina aceitável, acabar a pós-graduação, cuidar do trabalho, etc e tal.
Obviamente nada disso aconteceu, a não ser o fato de eu ter deixado a terapia de lado. Me sobrou tempo pra dormir e claro, comer, porque comer dá sono e dormir dá fome, já dizia o guru. E neste aspecto, caro leitor amigo, eu entrei pras estatísticas: casei e engordei. A essa altura, você que é muito simpático e educado vai dizer ‘que isso, você tá ótima, engordou nada, nem notei’.
Na verdade não é nada grave, sabe? Pelo menos era o que eu achava até um dia desses, quando separei uma calça assim, mais folgadinha pra ir no mercado, niqui a calça não entrou.
Não entrou, incalto sofredor, não entrou.
Como a terapia me dava uma fome danada, resolvi trocá-la pela boa e velha, carrasca e milagrosa nutricionista: ela me tira o gluten, aperta minhas dobras e sempre diz ‘você não tem a menor tendência à obesidade’.
Mas eu sou assim mesmo: gosto de sofrer e finjo que acredito em mentiras.

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