sobre paredes, dinheiro e micareta

por Kritz

Por aqui tudo bem, meu povo. Depois de uma semana muito da cretina no trabalho, em que eu fiquei pensando que diabo eu quero da vida afinal, eu engoli o choro antes que a vida me desse um motivo de verdade pra chorar. E comecei a pensar em que cores pintar a parede da minha casa nova.
Não que eu mande em tudo e seja mimada e precise de tudo do meu jeito. Lógico que não, eu sou uma moça. A questão é que Marido, um menino, veio com a capacidade de distinguir – tão somente, vâmo combiná – as 16 cores padrão do windows. Pra ele, assim como para meu pai, um dautônico diagnosticado, laranja, mostarda e salmão são a mesma coisa. Pink, fucsia, vermelho são a mesma coisa também. Verde e azul – pasmem! – também, mas isso é assunto pra outro momento.
Então que quando eu digo ‘pensei num tom levemente esverdeado com texturas’ ele faz aquela cara de ‘aplicação do vocábulo na frase, por favor?’ e, como nem todas as cores que eu imagino estão na natureza, assim, a mão, combinamos que eu decido as cores das paredes e armários. E fim.
Enquanto isso ele segue decidindo em que empreitadas baianas nós vamos – ou não – nos meter. O carnaval fora de época de Fortaleza sussurou indecentemente no meu ouvido mas, advinha? Não vamos. Não vamos porque a viagem pra grande maçã insone já está fechada, porque temos um ap pra montar e um financiamento pra pagar e blablabla. Claro que meu ouvido é seletivo e só ouve – e ignora – o ‘não’. Mas como eu não consigo ignorar o sinal negativo na minha conta bancária, tive que me contentar. Enquanto isso me inscrevo nas promoções das emissoras de rádio, porque eu não tenho orgulho.
Vai que eu ganho?

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