cães, preciosos cães

por Kritz

Não tenho cachorro. Quando era criança tive alguns, que duravam, assim, uns 17 dias. Não me lembro de nenhum ter morrido. Mas meus pais doavam as criaturas porque, enfim, eles davam um trabalho do cão. Eu tive também um coelho. O nome dele era Coelho mesmo, batizado por mim ixcruzive. Eu tenho uma explicação muito óbvia para essa minha decisão: foi esse o nome que Adão deu para aquela coisinha peluda de olhos emaconhados! Só que deu esse nome em aramaico e a gente, com o tempo, traduziu para o português. O resultado deve ter sido algo como coelhudus orelhudus quadrupedisis, mas com a evolução da língua a gente ficou só com o coelho mesmo, e tem funcionado até hoje.
Sinceramente Coelho era um coelho meio sem graça. Era quase como um peixe, só que não vivia em água. Comia, dormia e eliminava os detritos. E os detritos dos coelhos são engraçados, porque coelhos não fazem nem cocô nem xixi, eles produzem um treco que fica entre as duas excreções.
Um belo dia, Coelho não estava mais entre nós. A versão oficial é de que ele tinha tomado água com sabão e morrido de ensaboamento estomacal. Pra mim, lógico, a desculpa colou porque criança acredita em muitas coisas meio estranhas, além de terem coragem de tomar água com sabão também, então, eu me recolhi e tentei internalizar que Coelho tinha ido para o céu dos coelhos. Ou então pro inferno dos colehos, já que tinha se suicidado.
Mas o assunto é cachorro. Eu mesma não tenho nada contra cães, apesar de se tratarem de seres animados que cagam a casa inteira e mastigam pés de móveis e sapatos alheios. E foi assim, com o passar do tempo e com o perder dos calçados que eu fui compreendendo que cachorros e Kriscia daria confusão.
Só que Marido adora cães. Sempre teve cães, conversa com cães, alimenta cães, insiste em dizer que o cão dele sorri, que fala, que fica bravo e envergonhado. Acho que fica mesmo. Porque se eu fosse um cão ranheta como aquele cão é eu também teria vergonha de mim mesma. Só que na minha versão cão. Compreendem?
De uns tempos pra cá ele anda com um rabujo só, porque eu vetei cães no novo lar. Não tenho tocado no assunto porque, como já dito, cães estão vetados.
E sabe qual foi a estratégia dele?
‘Precisamos ter um cão. Só assim saberemos se não vamos deixar nosso filho morrer.’
Ainda estou tentando processar essa informação e ver que significado isso tem.
Enquanto isso me diga aí: será que chove?

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