Tá Pensando o Quê?

Mês: agosto, 2009

tudo culpa do baixo ventre

Sabe aquele papo que você já deve ter ouvido sobre grávidas ficarem estabanadas, desligadas, esquecidas e com a capacidade de fazer pequenas contas de cabeça bem escondidnhas num lugar que só é revelado depois do parto? Não é conversinha pra boi dormir, não, Brasil, isso acontece.
Tenho que apresentar um dado que deporá contra a minha pessoa, mas é válido: eu nunca fui exatamente um primor de destreza. Acho que meu nível de estabanidade sempre esteve assim num grau 4, contando de 0 a 10. Mas ultimamente eu tô uma negação. Na hora de ligar a seta do carro eu me distraio e ligo o limpador de parabrisa. A tabuada, tão duramente decorada na 2ª série, agora se vê reduzida a um cálculo rápido na calculadora do computador. Tudo que envolve raciocínio rápido está demandando um tempo que faz com que o raciocínio saia da categoria do “rápido”.
E o sono, incautos? Votecontá, é aquele sono de velho, sabe? Encosta e já começa a pescar. Depois do almoço então, pátria amada, fico catatônica, letárgica e só “acordo” depois que a digestão está ok.
Não tô muito sensível, não. Na verdade eu tô é braba. Mas é bem braba mesmo. Gastura de tudo, respostas azedas na ponta da língua, tolerância zero, vontade de resolver tudo na porrada, sabe como? É porque a circulação deixa de privilegiar a cabeça e se concentra no baixo ventre, né? Foi o que me disseram. Mas não enjoei de nada. Daqui 10 dias acaba o chamado 1º trimestre e não enjoei com absolutamente NADA. Mas enjoei de algumas pessoas. Enjoei mesmo, de não conseguir ouvir a voz, a risada, nada, que já me invade aquela vontade de calar a boca do bípede humano na voadora, acompanharam?
Tomara que seja enjôo de grávida.
Enjoar de gente conta?

I want to go back to Brasília

De volta, graças a Deus. Nunca quis tanto voltar pra minha casa como dessa vez. Sempre que eu volto de férias fico deprimida porque não moro numa casa com vista pra uma praia linda, numa vila simples ou num lugar de gente bem educada. Mas dessa vez, votecontá que a vista não era linda e as pessoas, definitivamente, não eram nem um pouco educadas. Estou realmente feliz por ter voltado.
No mais, o tempo em Brasília tá doido. Era pra estar seco, quente, aquele clima de deserto delícia. Mas o mundo tá caindo em chuva aqui e ontem acordei com a temperatura da manhã em 15°.
Fiz uma ecografia e meu ente querido sacudia as mãozinhas loucamente, como quem festeja por estar de volta. O médico disse que ele estava bem espertinho pra idade. Então me lembrei que se trata de um ente provavelmente ariano e do medo de arianos que vocês, caros leitores terroristas, incutiram em mim. Tem alguém pra quem eu possa rogar tersóis poderosos, para o caso de ele ser mesmo um ariano difícil? Heim?

enfim a big apple insone

Pois bem. NY é bem menos glamurosa do que eu imaginei.
* voam ratos arremessados pelos NY lovers leitores do blog *.
Essa cidade é tumultuada, entupida, cara e engordativa. Toda noite eu deito a cabeca no travesseiro e sinto imensa culpa e dor por não conseguir comer salada todo dia. O Central Park vale super a pena mas, com o calor úmido que faz aqui, passear por ele é hidratar o pulmão na marra e qualquer caminhadinha te deixa com aquela pizza debaixo do braco.
Todas as lojas tem porta giratória, mesmo sendo visível o problema que, inclusive os moradores, tem com elas. Se voce quer dar risada é só parar na frente da Macy’s e ficar vendo o povo se perder, girando, girando, girando na bagaca da porta.
Todo mundo tem pressa sempre, mesmo que a gente nunca entenda o verdadeiro porque. E, sejamos francos, que tipo de gente tem pressa no domingo, pelamordedeus?
Eu queria subir no Empire State antes que algum doido resolva derrubar. Mas 47 dolares é muito dinheiro, principalmente em NY. Entao, eu guardei a carteira, tirei uma foto na placa do prédio e depois fui jantar no Mc Donalds.
Já que to na merda resolvi abracar o coco e vamo nessa.
Comprei uma camiseta I “heart” NY por U$ 2.50. Mas o Brasil, meu povo, ah, o Brasil, esse sim é lugarzinho bom.
Por isso, aí vai um pedido sério de uma grávida apaixonada: alguém providencia uma camiseta eu “coracao” Brasil e manda pra minha casa, por sedex a cobrar. É só um pedido, nao há pragas e tersol envolvidos, ok? Um pedido singelo de uma brasileira saudosa, Brasil, cade a sensibilidade de voces?
Sem mais para o momento, obrigada.

GPS e outras coisas que podiam não existir

Comentei que aqui tá um calor dusinferno, né? Por isso todo holy place tem ar condicionado bombando no máximo e formando estalaquitites de gelo no teto. E quando a gente sai do holy place? Bafão quente e úmido de temperatura muito alta mesmo.
Resultado: uma garganta arranhada e uma leve febre. Como eu estou gestante, não posso me entupir de remédios assim, na hora que eu quiser. Então tive que ligar pra minha médica pra explicar o caso e pagar milhares de doláres no roaming internacional.
Adivinha? Ela logo achou que eu estivesse com gripe suína. Agora eu pergunto, muito sinceramente: gripe tem que ter corisa, espirro, essas coisas, né? Independente de ser bovina, equina ou suína, certo? Febrinha e dor leve de garganta, com corpinho meio mole é motivo pra eu ficar preocupada?
Eu conseguiria ouvir a resposta se não estivesse a bordo uma GPS que fala português de Portugal e sempre escolhe os caminhos mais complexos, longos e cheios de trânsito possíveis.
Então fui pesquisar no google algo tipo ‘gripe suína gestantes medo, desespero, terror e pânico’. Depois disso, deixo a dicazinha do coração: quando engravidar só use o google pra ter idéias de moda gestante e decoração de quarto de bebê, faizfavô. Porque a ignorância, nesses casos, é a mãe da felicidade.

todo mundo querendo saber da mala

Sim, Brasil, minha mala surgiu reluzente na esteira. Azul e bela, cheia de fitas e marcas do trauma sofrido pelos carregadores malvados. E nem demorou muito. Isso me leva a crer que tem mais gente que gosta de mim do que gente que me detesta no mundo. Ou então meu santo é forte.
Já estou em Miami, Flórida, que não tem o apelido de the sunny state à toa. Meu camarada, votecontá que chegamos aqui num calor de 32°, naquela umidade que você fica bezuntado logo que sai do banho. Mas tudo é absolutamente limpo e fino, as ruas são enormes de largas, os carros são todos fodões e a gente se sente mal educado por mais gentil que tente ser. Precisei ir no médico e fui ABSOLUTAMENTE bem atendida. Em 2h eu já estava tomando soro, já tinha feito exame de sangue, urina e ultrassom, já estava tudo bem e eu já tava indo almoçar no wendys. Quanto eu paguei pelo atendimento médico? Nada. E ainda tive que assinar um papel dizendo que eu me comprometia a não pagar nada por aquele atendimento, porque o Obama can e ia pagar tudinho. E é um estado bilingue, né? Todo mundo fala inglês e espanhol. Como na minha lua de mel eu arrasei no espanhol, estou me sentindo em casa. A diferença básica é que aqui a UNIDADE da banana custa 1 dolar. Ainda bem que trouxe banana passa do Brasil. Nós não sabemos quanto o Brasil é bom, saca? Definitivamente, não sabemos.
See you, guys! (praticamente uma poliglota, eu.)

traumas incríveis sem motivo aparente

Muito cansaço. Porque tá tudo bem, mas as coisas não estão normais. E eu fico querendo agir como se tudo estivesse como antes. E não está, nem ficárá pelos próximos meses. Na verdade, não ficará pelo resto da vida, mas pelo menos hormonalmente as coisas tendem a ficar como eram antes, ou seja: TPM só uma vez por mês e não 7 semanas seguidas. Até que chegue a menopausa e aí a conversa é outra.
Mas na segunda-feira eu viajo. Com conexão. Odeio viagem com conexão. No fundo eu odeio viagem de avião e isso em nada tem a ver com o medo da morte. Porque eu sei que Deus reserva pra mim, lá no céu, o mínimo que eu preciso pra ser feliz: um chuveiro potente e uma cama kingsize, nada mais. Pode ser uma choupana celeste que eu topo. E sei que Deus já tá com tudo esquematizado pra quando chegar meu dia de bater a cassoleta.
Pois bem. Meu medo não é de o avião cair. Nem de turbulência, raios, sequestros aéreos, homens-bomba, nada disso. Meu medo mesmo é de que minha bagagem seja extraviada.
Eu sei, eu sei, trata-se de uma confissão de apego aos bens materiais, mas pra mim a idéia de ter a bagagem extraviada me arrepia os cabelinhos de dentro do nariz.
Ah, meu camarada, vâmo combiná que quando a gente viaja, separa o melhor do que temos pra colocar na mala. Muitas vezes compramos roupas novas, montamos enxoval especial para as férias, gente! Isso acontece, sim, não sejam hipócritas a ponto de negar. E depois de todo esse investimento, ver tudo perdido na falta de logística de uma companhia aérea? eu não suportaria tamanha dor.
É lógico que, justamente por eu ter esse pânico de perder bagagem, a minha mala é SEMPRE a última a surgir reluzente na esteira. SEMPRE. E meu coração fica apertado, acelerado, agoniado, enquanto a mala não aparece. Uma tensão que, nos dias de hoje, já é até compartilhada com meus eventuais colegas de viagem. Eles já ficam tensos por mim. Já não mais me sacaneiam pelo tamanho da minha bagagem de mão. Porque a minha bagagem de mão tem que ser suficientemente ‘grande’ para uma eventual tragédia. E as pessoas já me ajudam a carregar aquele trambolhão. A parte boa é que, indo pra Miami, chegar sem nada até que não seria de todo ruim. Mesmo assim, apesar do meu pré-trauma, nunca perdi bagagem e, sinceramente, torçam pra que não aconteça isso dessa vez. Torçam mais veementemente pra que isso não aconteça na volta, porque a bagagem da volta vai ter um monte de coisa pro quarto do bebê, além da moda gestante que lá é supimpa.
Obrigada e bye!

lembra que eu não caibo nas estatísticas?

Entrei na 6ª semana e ainda não engordei 1gr sequer. Era pra eu estar com uma fome dilaceradora né? Mas nada. Na verdade estou com MUITO pouco apetite. Tirando ontem, que eu precisei ficar em jejum pra fazer uns outros exames de sangue e passei o dia inteiro sentindo uma fome da bagaça, tão grande que eu seria capaz de comer um cavalo. Um cavalo grelhado, mas um cavalo.
Porque tô numa onda (ainda mais) natureba, pra deixar meu filho no esquema da alimentação saudável já mesmo na fase inside.
E os enjôos? Que enjôos, Brasil? Não tô tendo nenhum enjôo! Nadica de nada. Algumas comidas que eu amo estão indo, assim, pr’aquela prateleira do ‘eca’, mas não chegam a me embrulhar. Exemplo inacreditável: chocolate. Só de pensar naquele chocolate gordurento já pronuncio mentalmente um ‘eca’. Fritura não rola, juro. O cheiro já me deixa na fase ‘eca’. Mas só.
E o sono? Grávidas têm muito sono, né? As grávidas das estatísticas têm muito sono. Porque eu tenho tido é uma bela de uma insônia. Coidedoido.
Mas hoje eu tive um desejo, e entendi do que se trata o desejo, não é frescura de grávida pararicada, não. A gente de vez em quando, mesmo não estando grávida, fica com MUITA vontade de comer determinada coisa. Mas quando você tá grávida, se desgoverna enquanto não engolir o tal alvo do desejo. Comigo foi assim, hoje, exatamente assim. Se eu não comesse rabada com agrião eu entraria em combustão espontânea. Isso mesmo, rabada com agrião. Devorei as carninhas e roí cada ossinho.Diliça.
Soube que minha mãe teve vontade de comer aquela massa de cimento.
Ela deve ter comido. Aí, deu no que deu.

áries, o signo do fogo

Hoje finalmente consegui ir numa médica. De encaixe, no favor, mas consegui. Meu filho deve nascer no dia 29 de março, Pensando assim ainda falta muito, já que só agora desponta um levíssimo bucho. Só que antes, quando eu murchava, o bucho encolhia, Agora fica lá, persistente.
Hoje, segunda-feira, entro na 6ª semana. E com a data provável para nascimento, lá foi Marido ler em voz alta o horóscopo do signo de áries para o bebê, já que bebês não sabem ler (e talvez ainda não ouçam quando estão na 6ª semana de vida, mas abafa o caso.)
Leu e interpretou. E desde o 1º dia em que soubemos que estávamos grávidos, só me trata no plural. E tá com toda a paciência do mundo porque, embora eu não esteja enjoando nadinha, tô brava e irritada demais e agradeço a Deus todo dia por não ter passado no concurso da Polícia. Porque se eu tivesse passado eu teria porte de arma E arma, e já teria dado uns tecos numa meia dúzia de gente. E ter um Marido como o meu, nessas horas faz TODA a diferença.
Os hormônios, Brasil, os hormônios. Não é frescura, a gente fica numa brabeza de dar medo. Se os hormônios também ajudarem na mira, pode ser que eu adquira, nos próximos dias, um estilingue.
Não é pra matar, sabe? Só pra dar um corretivo. Tem muita gente no mundo precisando de corretivo, tá doido.
Compre uma arma de chumbo e faça sua parte, você também.

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