traumas incríveis sem motivo aparente

por Kritz

Muito cansaço. Porque tá tudo bem, mas as coisas não estão normais. E eu fico querendo agir como se tudo estivesse como antes. E não está, nem ficárá pelos próximos meses. Na verdade, não ficará pelo resto da vida, mas pelo menos hormonalmente as coisas tendem a ficar como eram antes, ou seja: TPM só uma vez por mês e não 7 semanas seguidas. Até que chegue a menopausa e aí a conversa é outra.
Mas na segunda-feira eu viajo. Com conexão. Odeio viagem com conexão. No fundo eu odeio viagem de avião e isso em nada tem a ver com o medo da morte. Porque eu sei que Deus reserva pra mim, lá no céu, o mínimo que eu preciso pra ser feliz: um chuveiro potente e uma cama kingsize, nada mais. Pode ser uma choupana celeste que eu topo. E sei que Deus já tá com tudo esquematizado pra quando chegar meu dia de bater a cassoleta.
Pois bem. Meu medo não é de o avião cair. Nem de turbulência, raios, sequestros aéreos, homens-bomba, nada disso. Meu medo mesmo é de que minha bagagem seja extraviada.
Eu sei, eu sei, trata-se de uma confissão de apego aos bens materiais, mas pra mim a idéia de ter a bagagem extraviada me arrepia os cabelinhos de dentro do nariz.
Ah, meu camarada, vâmo combiná que quando a gente viaja, separa o melhor do que temos pra colocar na mala. Muitas vezes compramos roupas novas, montamos enxoval especial para as férias, gente! Isso acontece, sim, não sejam hipócritas a ponto de negar. E depois de todo esse investimento, ver tudo perdido na falta de logística de uma companhia aérea? eu não suportaria tamanha dor.
É lógico que, justamente por eu ter esse pânico de perder bagagem, a minha mala é SEMPRE a última a surgir reluzente na esteira. SEMPRE. E meu coração fica apertado, acelerado, agoniado, enquanto a mala não aparece. Uma tensão que, nos dias de hoje, já é até compartilhada com meus eventuais colegas de viagem. Eles já ficam tensos por mim. Já não mais me sacaneiam pelo tamanho da minha bagagem de mão. Porque a minha bagagem de mão tem que ser suficientemente ‘grande’ para uma eventual tragédia. E as pessoas já me ajudam a carregar aquele trambolhão. A parte boa é que, indo pra Miami, chegar sem nada até que não seria de todo ruim. Mesmo assim, apesar do meu pré-trauma, nunca perdi bagagem e, sinceramente, torçam pra que não aconteça isso dessa vez. Torçam mais veementemente pra que isso não aconteça na volta, porque a bagagem da volta vai ter um monte de coisa pro quarto do bebê, além da moda gestante que lá é supimpa.
Obrigada e bye!

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