Tá Pensando o Quê?

Mês: setembro, 2009

a gestação e minha capacidade de abstrair

Comecei a hidroginástica sagrada. Porque toda grávida que tá na moda faz hidroginástica, né? Eu cheguei toda me achando porque, como já malhava antes de embuchar, pensei que ia ser moleza aquela hidroterapia para a melhor idade. E como eu me lasquei, viu, Brasil? Porque quando a gente vê de fora pensa que se trata do maior exercício-blefe do mundo e, ouçam a titia, não é. Definitivamente não é. No primeiro dia, ao sair da piscina, senti meu sangue circular por partes do corpo antes desconhecidas.
A idéia era fazer ioga pra gestantes. Mas, gente, fala sério, quem me imagina fazendo ioga? Sejam francos. Aquilo acabaria com os meus nervos. Porque se você quer matar alguém agitado é só querer mostrar pra ele o benefício de uma vida equilibrada, calma, cheia de paz interior e chacaras em ordem. Eu mataria o professor com os golpes de muai tai que aprendi na época do tae fight. Porque era assim que eu me desestressava.
A grande questão da hidroginástica, alem de ser uma atividade física que finge ser boazinha mas não é, é o nojo que eu tenho de piscinas. Não importa se ela aparenta estar limpa, tenho nojo e ponto final. Por isso queria ser rica e fazer pilates. Pensando no meu momento descapitalizado eu soco a água, porque a água, sim, incauto, absorve o impacto e preserva as articulações.

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quer conversar? vai na Hebe

Então que chegou o dia, né? Eu estava devidamente ornada com minha bata de mulé grávida convicta e cheia de si e fui no mercado, comprar legumes sem agrotóxico, porque tinha recebido meu tiquete-alimentação.
Comprei tudo na rapidez que meu horário de almoço no trabalho exige e me dirigi bela e garbosa para o caixa preferencial, aquele meu direito constitucional já mencionado neste blog.
Mas Brasil, eu vou abrir meu coração pra vocês: aquela fila é também para idosos e idosos dão muito trabalho.
Amo vôs e vós, ok? São figuras fofas, cheias de melancolia e saudade, adoro conversa de velhinho. E eles conversam muito, né? Porque eles já entederam o verdadeiro sentido da vida e sacaram que ter pressa é coisa de trouxa. No caso, coisa da gente. Você e eu, trouxas que somos. E eles são simpáticos, normalmente. Ou reclamões. E tanto os simpáticos quando os reclamões falam pra dedéu. E falam com os carinhas do caixa por horas e horas e horas. Enquanto você está lá, na fila, prenha (com um bucho pequeno, mas todo bucho enorme passa pela etapa do bucho pequeno e eu só estava exercendo meu direito constitucional de usufruir de filas preferenciais, ok?) esperando sua vez de ser atendida, sorrindo amarelo pro vovô conversador.
Então, vou mandar a dicazinha pra você que quer engravidar qualquer dia desses: a fila preferencial não é lá tudo isso quando o quesito é rapidez e agilidade. E você, que vai chegar na melhor idade todo tranquilão, indo passear no mercado e bater papo com os caixas, sugestão: chama a caixa pra tomar uma cerveja e bater um papo, gente!

Eu ‘coração’ Brasil forever

Eu fui pra NY, né. Fui lá no buraco do WTC, senti aquele frio na espinha e quase que automaticamente orei por aquelas pessoas. Por todas as que habitam aquela cidade e não só pelos que morreram. Porque eles são pessoas muito esquisitas. Salvas as proporções do absurdo cruel de tudo que rolou, eu entendo quem os odeie. Eu mesma não os tenho na maior das estimas. Porque eles são grosseiros, umbigosos, se acham os melhores até mesmo nas coisas que são reconhecidamente uns losers e tratam qualquer um que não seja americano como lixo latino. Ou árabes que merecem a morte.
Turistas não são bem recebidos, longe disso. Pra passar no detector de metais, precisei tirar minha aliança e meu sapato. Porque eu sou terrorista, até que o detector de metais diga o contrário. ‘Claro’, você vai dizer, ‘eles ficaram traumatizados com o que aconteceu’. Não duvido. Mas será que alguém pensa que aconteceu o que aconteceu porque eles são assim, excessivamente cheios de si?
Ontem, assistindo um documentário sobre a versão oficial americana sobre o atentado, ouvi diversos americanos dizerem que queriam a guerra, queriam invadir todos os países árabes e matar todos. TODOS. Inclusive os inocentes, os que são gente boa, os imigrantes, os turistas. Porque eles generalizam. Assim como o Oriente faz com eles. Acompanharam?
Depois que voltei dos EUA, me sinto muito mais orgulhosa de ser brasileira. Este nosso país é bem bagunçado e nem sempre temos do que nos orgulhar. Mas aqui, ser humano é normal. A gente aprende lições de humanidade todos os dias. E pratica. Bem ou mal, a gente pratica. Eu lamento muito o que aconteceu com os novairoquinos no dia 11 de setembro. E esse tipo de coisa me faz pensar sobre o quanto a gente nem sempre tem muita habilidade pra aprender, mesmo que seja com a desgraça.

as tribos deste mundão

Grávidas pertencem a uma tribo universalmente auto-reconhecida, sabe como? Que nem os maconheiros, os motoqueiros, os marombeiros. Pertencem a um grupo próprio, com gírias particulares e bitolações típicas, se reconhecem de longe.
E assim como maconheiros, motoqueiros e marombeiros, muita gente parece estar grávida e não está.
Eu já sabia disso, claro. Mas é que a conexão com os outros seres humanos fica bem mais apurada, a gente entra numa onda zen de incluir geral, ter um milhão de amigos e então mais forte poder cantar, mudar o mundo, acabar com a poluição e com os produtos industrializados que contêm glutamato monossódico até o fim da gestação, essas coisas. E tem, claro, a concentração de sangue no baixo ventre, já mencionada e que tende a se concentrar, que deixa, sim, a gente mais lerdinha.
Hoje, na hora do almoço, eu no restaurante natureba, na fila pra pagar, pergunto pra moça ao lado de quantos meses ela está. Ela responde 1 ano e 9 meses. Eu fico bege, reclamo do calor e fim.
Porque ela já pariu a 1 ano e 9 meses e eu ainda chutei mentalmente que ela deveria estar de 6 meses. De gestação. Acompanharam?
Dicazinha do coração do dia: achou que alguém tá grávida? Elogie a bela forma da humana e fim. Sem detalhes. Sem conexão, sem reconhecimento de tribo. Pra evitar o mico, tá? Eu aviso porque sou legal. Eu sou lerda, mas sou muito gente boa.

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