coisas que ninguém conta sobre a gravidez

por Kritz

Uma colega de barriga comentou algo, aqui mesmo no blog, sobre a vontade de escrever um livro com esse título. Todo meu apoio, claro. E não que eu seja uma grávida ranheta, Brasil, pelamordedeus. Eu continuo sendo muito gente boa, só que na versão 5 kg mais cheia e com aparência de quem esconde a bola do jogo embaixo da camiseta. De resto, tudo igual.
Por exemplo: minha vontade de atacar pessoas na base da dentada continua aqui, impávida, forte, tenebrosa. Quando eu passo algum momento de muita raiva me sinto uma pitbull prenha, literalmente. No auge da raiva rola um imaginário de eu voando na jugular de alguém e sacudindo a cabeça, sabe como? Mas como não posso fazer isso, me bate a frustração e eu fico com muita vontade de chorar. Coisas que qualquer pessoa sente, de verdade. Só que eu sinto de forma incontrolável.
Por isso eu acho que a licença-maternidade deveria começar antes de o bebê nascer. Legalmente as mães que trabalham tem esse direito, mas nunca têm coragem porque a folga agora significa menos tempo com o rebento quando ele nascer. Mas é que a convivência com pessoas vai ficando difícil e a gente vai desenvolvendo habilidades de odiar pessoas. Eu por exemplo estou odiando o síndico do meu prédio neste momento. É um ódio-tristeza-medo tão grande, mas tão grande que até eu sei que é exagerado. Mais patético que isso, só as minhas tentativas de me acalmar. Como é ridículo. Aí o povo ao redor entra numas de ‘não fica assim que passa pro bebê’. Ai, qui raiva. Ninguém diz ‘não fica assim, vai dar tudo certo, se acalma, releve, cuida da sua vida, pára de frescura’. Não, nada disso. O bebê né? ‘Respira e finja que está tudo bem, porque o bebê tá olhando’. Ai Pátria Amada, vocês me dão muito trabalho. Eu fico com peso na consciência, lógico, porque sou muito suscetível e também porque tomei chutes no umbigo pelo lado de dentro. E lá veio Marido com fones estéreo pra colocar mantras pro bebê ouvir. Eu com dois fones presos no cós do short, coisa linda de se ver. Deveria ter tirado uma foto. Mas a guerra de hormônios, tão mencionada mas tão pouco explicada, já me humilha demais.

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