não faço nada e me acham legal

por Kritz

Sou sortuda e já provo isso pra vocês. Não que eu tenha ganho na megasena – ainda, deve ser encosto – mas pequenas situações sortudinhas sempre rodearam a minha existência. Desde que eu nasci tive bebê que tava a fim de sair pra um lugar barulhento ficar tentando conversar com os amigos enquanto tomava espumante. Não que eu não goste de dançar, mas dificilmente a gente dança em lugares dançantes quando vamos com amigos. Só que, né, agora eu tenho cria, mamadeira, banho, musiquinha de ninar, talecoisa. Só que Marido, um cara que comprova que sorte pode ser algo recíproco, me disse ‘vai se divertir que eu seguro as pontas,’ Juro.
E eu fui. Fui, não, porque ‘fui’ é pouco pro que aconteceu. Eu me joguei num triplo mortal carpado crocante com queijo, molho especial, cebola, picles num pão com gergelim, coberto com o delicioooooso chocolate nestlé. Sorte de ter um marido que, sem dúvida, me merece.
Aí, tô eu lá no balcão, gritando com meus amigos porque o som tava alto, ni qui pára do meu lado uma moça. Uma garota. Uma mulé, sei lá, um ente do sexo feminino. E pede um tequila pro garçon. Tequila, bebida para iniciantes, todos sabemos. Tequila, algo que não derruba ninguém. Tequila, uma bebida mexicana feita de agávia mas que se você colocar no tanque do seu carro, caro leitor amigo, ele vai andar. Tequila, a malvada que já machucou muita gente. Tequila. Ela.
Garçon Josivaldo (eu sempre sei o nome dos garçons, isso garante atendimento vip e faz com que eles te deixem tocar sinos nas boates) chega com o copinho, o saleiro e o limão.
A guria fez aquela cara de tela azul do windows, tá ligado? Pã.
Eu, que sou uma pessoa prestativa, gente boa e trabalho duro neste planeta pra conseguir a minha quitinete com cama kingsize no céu, fui dar uma mão pra criatura, né? Por que a beginer tava querendo tacar limão e sal dentro do copo de tequila, numa versão mal feita de caipirinha salgada, eu precisei intervir. Até porque eu já bebia quando era solteira (e não PASSEI A BEBER depois que sofri com as solteirices da vida, se é que você me entende…) e não que eu seja uma alcóolatra, mas se aprendi até onde posso beber sem vomitar nas palmeiras da Esplanada dos Ministérios, não foi só tomando coca-cola. Convenhamos.
Então eu expliquei que primeiro vinha o sal, depois aquela talagada de responsa e só então o limão, pra enganar a língua. Ela fez tudo direitinho, me deixou toda orgulhosa, agradeceu muito e disse que eu era muito simpática. MUITO SIMPÁTICA. Ela provavelmente vai ter a ressaca mais voraz e estarrecedora de toda a existência dela, mas eu fui simpática né, ensinei ela a fazer isso consigo própria.
E é sempre assim que eu faço amigas nas baladas. Sério.
Ou então quando eu ouço as histórias delas no banheiro, dou conselhos, ligo pros ex delas e os mando tomar no cu às 4 da madrugada.
Mas esse é outro assunto.

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